Prejuízo em Curitiba ronda os 30%
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Vânia Casado 
Com a derrota do Brasil na Copa do Mundo, o comércio varejista começa a contabilizar os prejuízos. Em Curitiba a queda nas vendas durante os dias dos jogos do Brasil é estimada em 5% pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, José Carlos da Silva Tristão de Ataíde. A vice-presidente da Associação Comercial do Paraná, Marcia Schier também fala em perdas. Ela frisa que os números não são oficiais, mas com a paradeira no comércio nos dias de jogos, estima que a redução nas lojas em geral foi de 30%.
Na sua loja em particular, a Schier Calçados, a queda no movimento foi de 20% porque a loja compensou a queda com a venda de artigos esportivos ligados à Copa. Para Tristão, que tem uma loja de eletroeletrônicos, a queda nas vendas dos outros produtos também foi compensada pelo aumento nas vendas de televisores. Ele estima que a venda de TVs aumentou 10% em relação aos meses anteriores.
Para Tristão, a paralisação do comércio ocorrida nos dias de jogo teve a conivência do empresariado nacional e agora,com a derrota do Brasil, o País caiu na real. Ele comparou a Copa do Mundo ao Carnaval, onde as pessoas gastam e se deparam com os prejuízos somente no final do mês. Com a Copa, foi semelhante.Nós concordamos em reduzir os expedientes e agora nos deparamos com os prejuízos, afirmou.
Segundo Marcia Schier, o fechamento das lojas às 15h30 durante os dias de jogo do Brasil, para reabrir somente no dia seguinte, gerou prejuízos evidentes. A falta de vendas para o comércio nesse período é irrecuperável, enquanto a indústria ainda pode recuperar o tempo perdido com reposição de turnos de trabalho, comparou. Segundo ela, o dia de jogo era praticamente morto. Até os restaurantes por quilo, vendiam a metade das refeições, disse.
Ela concorda com o presidente da CDL que a derrota influenciou nesse estado de ânimo dos lojistas. Se o Brasil tivesse ganho o campeonato, todos nós estaríamos comemorando e ninguém estaria preocupado com as contas. A empresária disse que acredita realmente que o futebol no Brasil influencia a política e a economia. Se o País fosse vitorioso, as pessoas estariam mais propensas às compras, diz.
Com a derrota, o consumidor torna-se excessivamente crítico e descobre que o País tem outras preocupações, como a fome no Nordeste e a precariedade da saúde e moradia de grande parte da população. O brasileiro volta-se para os problemas reais e a economia não flui como deveria, o que pode resultar no aumento de dificuldades para a reeleição do presidente, disse.


