Curitiba O Sindicato das Indústrias de Carne do Paraná (Sindicarne) entrou com dois mandados de segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e na Justiça Federal pedindo a revogação imediata de todas as barreiras sanitárias impostas pelo governo federal contra os produtos paranaenses. As barreiras foram adotadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na Instrução Normativa 34, que considera como área de risco de aftosa cinco municípios do Mato Grosso do Sul (que tem confirmado 22 focos de aftosa) e 36 municípios do Paraná (que não tem nenhum foco confirmado e apenas quatro propriedades estavam sob suspeita).
Os mandados de segurança se baseiam nos resultados dos exames laboratoriais feitos nas amostras de soros, líquidos estomacais e lesões epiteliais de bovinos paranaenses que apresentavam sintomatologia semelhantes ao da febre aftosa (como temperaturas altas e lesões na boca). ''É impossível que o Ministério da Agricultura não aceite os laudos produzidos pelos seus laboratórios oficiais. Está claro que o Paraná continua estado livre da febre aftosa'', ponderou Péricles Salazar, presidente do Sindicarne. Foram encaminhadas 454 amostras de soros (438 laudos estão prontos e deram negativo), nove amostras de líquidos estomacais (quatro foram analisadas e deram negativo) e 11 amostras de lesões epiteliais (quatro deram negativo).
Salazar acredita que pressões de grupos privados de outros estados estejam influenciando a decisão do Mapa em não declarar oficialmente que não existe aftosa no Paraná. Os prejuízos dos produtores e da indústria da carne no Estado já somam mais de R$ 100 milhões. ''Esse dinheiro não volta. Estamos vivendo num mundo cão. O Paraná fez a tarefa de casa anunciando a suspeita. O governo federal não está fazendo sua tarefa, que é divulgar para o Brasil e para o Mundo que o Estado não tem febre aftosa''. Os estados que estariam interessados, segundo Salazar, nas restrições ao Paraná seriam: Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo.
Para o economista do Sindicarne Gustavo Fanaya o Mapa também se beneficiaria com a declaração internacional de aftosa no Paraná. Até mesmo para tentar recuperar a credibilidade perdida com a demora do alerta de aftosa no Mato Grosso do Sul. Os primeiros focos teriam sido detectados no dia 26 de setembro. Entretanto, o alerta internacional ocorreu apenas no dia 9 de outubro (domingo) e foram divulgados pela imprensa no dia 10. ''O Brasil perdeu a credibilidade neste episódio. O Paraná está sendo usado agora como um bode expiatório para tentar fazer com que o Brasil recupere a credibilidade. Não iremos aceitar isto. Não vamos pagar um preço tão alto por erros praticados pelo Ministério da Agricultura'', disse Fanaya.
Somente para São Paulo, o Paraná exportava 7,5 mil toneladas de carne bovina com osso por mês. Com as restrições, a exportação ficou praticamente zerada. O governador em exercício, Orlando Pessuti, disse que não dá para sustentar a guerra sanitária imposta no Brasil contra o Paraná. ''Já chega a guerra fiscal de um estado contra o outro. As barreiras são desnecessárias contra o Paraná'', ponderou ele. Empresários e integrantes do governo estadual estiveram ontem reunidos para discutir o tema aftosa durante a 10º Reunião ordinária do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa).

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