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Genebra - O governo brasileiro já prepara um plano para financiar os setores industriais que serão prejudicados com a abertura do mercado nacional diante dos cortes que o País terá de fazer em suas tarifas nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). O chanceler Celso Amorim admitiu ontem que o governo está debatendo o assunto e que poderia ganhar a forma de um mecanismo de financiamento aos setores que acabarão sofrendo perdas com a maior concorrência de produtos importados.
O setor industrial é um dos pontos centrais das discussões na OMC e, para os países ricos, será a forma de cobrar por uma eventual abertura de seus mercados para os produtos agrícolas dos países emergentes, como o Brasil. Europeus e americanos querem que os países emergentes reduzam suas tarifas em cerca de 65%. No caso do Brasil, o corte seria sobre as tarifas consolidadas do País de 35%. Na prática, as taxas aplicadas de importação hoje variam em torno de 13%. Nesse caso, vários setores não sofreriam com o corte de tarifas.
Mas certas indústrias, como a de veículos, químicos têxteis, eletroeletrônicos e calçados, contam com tarifas mais altas. Se um acordo na OMC for finalmente concluído com base nos pedidos dos países ricos, portanto, as indústrias brasileiras teriam de concorrer com produtos importados e que pagariam menos impostos para entrar no País.
Os países ricos admitem que certos setores poderão ser classificados como sensíveis entre os países emergentes, o que poderá reduzir o impacto do corte de tarifas. Amorim confirma que certos setores serão poupados. Mas mesmo assim, reconhece que algumas áreas do parque produtivo nacional serão afetadas.

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