Pregão para boxes da Ceasa atrai poucos interessados
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sexta-feira, 24 de julho de 2015
Victor Lopes<br>Reportagem Local
Com o objetivo de restruturação e dar fôlego para a comercialização de hortifrutigranjeiros e outros produtos, as Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) em busca de novos permissionários - realizaram nesta semana dois pregões presenciais para ocupação de 58 boxes em áreas das unidades de Londrina e Maringá. Em Londrina, dos 52 boxes colocados para lance, com valores iniciais que variavam de R$ 10,9 mil a R$ 181,8 mil apenas 15 locais foram comercializados, 28% do total, o que foi considerado abaixo da expectativa pela diretoria da Ceasa. Já em Maringá, o pregão aconteceu ontem, e dos seis boxes ofertados no pregão, apenas dois foram arrematados (33%). As áreas licitadas têm contrato para 15 anos.
A unidade de Londrina tem espaço total 242 mil metros quadrados, sendo que 46,1 mil metros quadrados são de área urbanizada. Passam pelas instalações, diariamente, cerca de 2,5 mil pessoas, entre produtores, atacadistas, carregadores, compradores e comerciantes. As vendas anuais são de 153 mil toneladas de hortifrutigranjeiros. Em Maringá, são 211,7 mil metros quadrados, com os mesmos 46,1 mil metros quadrados de área urbanizada. A circulação é de 1,5 mil pessoas por dia e as vendas são de 114 mil toneladas por ano.
O diretor-presidente da Ceasa Paraná, Natalino Avance de Souza, relata que a licitação é uma forma de democratizar a oportunidade dos empresários assumirem espaços nas Centrais de Abastecimento, mas confirma que estava com uma "expectativa um pouco maior" acerca dos pregões desta semana. "Não podemos negar que o cenário econômico não está muito propício para investimentos e, claro, que isso tem reflexo nas centrais. Nossa taxa de lotação não é baixa nas cinco unidades do Estado, mas temos alguns espaços existentes que, se lotados, diminuiriam os nossos custos", salienta Souza.
Para o presidente, a maior dificuldade ainda está em captar novos permissionários. Ele nega que a devolução dos boxes esteja maior ultimamente devido ao cenário econômico atual. "Estamos com projetos para a modernização e ampliação das unidades para dar maior dinamismo às cinco centrais. Para isso, nós precisamos fazer caixa. Criar oportunidades para novos permissionários é uma das nossas estratégias."
Apesar do interesse abaixo do esperado, Souza quer que os pregões se tornem rotineiros para atrair novos atacadistas. "Pretendemos fazer ainda este ano em Curitiba e Foz do Iguaçu", complementa.
O presidente da Associação Representativa dos Usuários da Ceasa de Londrina (Arucel), Clóvis Tsuzaki, relata que de todos os boxes comercializados na cidade, apenas um deles foi para um empresário de fora. Todo o restante foi adquirido por permissionários que já atuam na unidade, que entraram na licitação para usar os espaços, principalmente, como estoque. "A Ceasa não é um negócio atrativo para novos investidores e os que estão aqui dentro é que acabam se interessando mais pelos espaços", justifica.
Diferentemente de Souza, o presidente da Arucel acredita que a crise econômica pode sim fazer com que permissionários deixem o negócio nos próximos anos. "Os custos já subiram e não conseguimos repassar isso para aos clientes. Temos que trabalhar mais para vender a mercadoria e não tenho dúvidas que o negócio pode enfraquecer caso continue dessa forma", finaliza.