São Paulo - Pagar à vista ou a prazo? Essa é a maior dúvida do consumidor na hora de comprar, especialmente bens duráveis. Na opinião dos especialistas, o melhor para o bolso de quem compra é sempre optar pelo pagamento à vista. Parcelar, indicam os experts, somente quando o valor a prazo for idêntico ao pagamento à vista. E isso, só depois de fracassar ao pedir com insistência descontos e pechinchar ao máximo.
O economista William Eid Jr., coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas, chama a atenção para os ''contos'' que o comércio prega no consumidor. ''Leva que é só hoje, é um deles. Eu não compro, se o vendedor pressiona desse jeito. Dou as costas e vou embora'', ensina. Eid Jr., que diz não fechar nenhum negócio ''sob pressão'', defende as compras à vista como a melhor forma de preservar as finanças pessoais. ''Entrar em financiamento, só para comprar uma casa.'' Ele entende que o consumismo é um ''crime'' contra o orçamento familiar. ''A compra deve ser planejada para não comprometer as suas finanças'', explica.
Para comprar um carro, ele lembra que pesquisou por quase dois meses. ''Pesei tudo muito bem. Vi onde realmente eu poderia tirar vantagem do pagamento à vista e só então me decidi.''
Contrário às compras por impulso, Eid Jr. entende que as pessoas devem economizar para pagar à vista suas compras. Mas reconhece com desalento que a maioria das pessoas, hoje, não tem reservas nem mesmo para emergências. ''O certo é sempre separar, todo mês, de 10% a 15% do salário ou rendimentos para pôr na poupança'', sugere, referindo-se a eventuais sobras situadas em torno de R$ 50 a R$ 100.
Para quantias maiores, o economista sugere a aplicação em fundos DI (sem muita oscilação e o rendimento acompanha a taxa básica de juros). Destaca que os bancos têm várias opções nesse sentido, mas que é preciso ficar atento às taxas de administração, que variam de um para outro.
''Junte antes de gastar'' é o lema de Eid Jr. Ele garante que ''tudo é uma questão de começar. Depois que você começa a economizar não quer nem tirar o dinheiro, seja da poupança ou dos fundos. Além disso, é extremamente reconfortante a sensação de se ter uma reserva'', argumenta.
Disciplina Também o personal banker Fabiano Leite acha que o consumidor tem de ser disciplinado para não perder dinheiro. ''É sempre melhor juntar dinheiro para pagar à vista e fugir dos juros.'' O economista lamenta que a grande maioria das pessoas esteja pagando juros ao invés de recebê-los. ''Entrar em financiamento é querer pagar juros'', raciocina. Acrescenta ser justamente esse o segredo das lojas que preferem vender em quatro vezes ou mais do que à vista. ''É assim que elas entram no mercado financeiro a juros altos, ou seja, acabam ganhando mesmo no financeiro e não no valor do bem'', justifica.
Segundo Leite, muita gente abre mão de serviços essenciais como planos de saúde para entrar em carnês de juros altíssimos. ''Tenho um cliente assim. Preferiu comprar um carro num desses financiamentos e agora está precisando refinanciar a dívida para não ser devedor.''
Daí ele insistir: ''Quer comprar? Então, veja o quanto você vai precisar. Junte e aplique em algum fundo DI, que rende mais que a poupança e tem liquidez num prazo mais rápido do que um título público, por exemplo'', sugere.

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