Prefeitura pedirá estudo técnico sobre região da Mata dos Godoy
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quarta-feira, 03 de junho de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
O prefeito Alexandre Kireeff pedirá na próxima segunda-feira que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) faça um estudo técnico sobre a zona de amortecimento do parque Mata dos Godoy, para embasar o debate acerca da instalação de indústrias na zona sul de Londrina. A área virou motivo de litígio entre a prefeitura e a ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE) após a sanção da Lei de Uso e Ocupação do Solo no início deste ano, que liberou a exploração de parte da área para fábricas de alto impacto.
Em debate na tarde de anteontem, no Fórum Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável de Londrina e Região, ambientalistas afirmaram que o local não pode ser usado para indústrias de alto impacto e nem mesmo deveria ter sido transformado em zona urbana, conforme definido em 2012 na aprovação da ampliação do perímetro urbano. Eles temem a degradação da região, que é formada por vegetação remanescente da Mata Atlântica, de proteção permanente e que também funciona como manancial de abastecimento para a região metropolitana.
No Fórum, representantes da prefeitura preferiram não comentar o caso enquanto houver liminar judicial, obtida por Ação Civil Pública, que impede a liberação de alvarás e licenças para empreendimentos na zona de amortecimento do parque. Kireeff, no entanto, disse ontem que é preciso fazer uma análise técnica sobre a amplitude da zona de abastecimento. "Na segunda-feira devo encaminhar um ofício ao Secretário do Meio Ambiente do Estado, solicitando uma atualização do Plano de Manejo do município e uma verificação dos limites da zona de amortecimento."
De acordo com o prefeito, o Plano de Manejo, que deveria ser atualizado a cada cinco anos, não usa apenas critérios técnicos para definir o perímetro da área. Ele citou que os limites ao leste da zona de amortecimento segue a PR-445 e existem pontos que chegam a 21 quilômetros de distância da mata. Ainda, ele disse que a sobreposição da zona urbana ocorreu em 2002 quando o documento do IAP sobrepôs a área com a zona de amortecimento, e não o contrário.
Para o prefeito, uma mudança da área reservada para indústrias para a margem oposta da rodovia resolveria o problema, mas seria arbitrária. Ele justificou que foram feitos 264 eventos públicos de discussão para definir a Lei de Uso e Ocupação do Solo e que a simples troca (de área) poderia ser encarada como especulação econômica, já que a nova área para indústrias perderia valor e a atual, ganharia. "Meu compromisso é para que não comecemos do zero de novo. A partir de agora podemos discutir aprimoramentos, mas temos de garantir o que foi debatido pela sociedade", disse.
O prefeito também disse que revogou o decreto que transformava um grande perímetro próximo ao parque em área de utilidade pública, como reserva para a construção do Arco Norte, projeto logístico que incluía um aeroporto de cargas. "Foi um projeto que desvalorizou as áreas onde ficava durante o período em que era de utilidade pública."
Kireeff disse reconhecer boa intenção nas ações da ONG MAE, mas afirma que a abrangência foi exagerada. Para ele, a proibição da liberação de alvarás na região impede até mesmo a abertura de uma padaria em distritos ou a construção de residências pelo Minha Casa Minha Vida, no distrito de São Luiz. Por isso, diz que a prefeitura continuará a tentar derrubar a liminar, apesar do pedido de revisão do Plano de Manejo.
Tanto o processo quanto o período de revisão dos planos, porém, serão longos. "Existem duas coisas das quais essa gestão não vai abrir mão: uma é a industrialização e a outra, a Mata dos Godoy. E uma coisa não impede que a outra ocorra", disse Kireeff.


