O Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) articulou 19 doações de terrenos para empresas na cidade, dos quais dez estão com projetos em discussão na Câmara e mais nove serão enviados até o fim do mês. Ao menos 15, no entanto, não servirão para atrair novas indústrias, mas para evitar a saída de empreendimentos para outros municípios da região, por falta de apoio para ampliação dos negócios e incentivos fiscais. Estratégia que faz parte do plano industrial para fortalecer a arrecadação de impostos e que gera expectativa de investimentos de R$ 82,3 milhões e de 553 empregos gerados.
O presidente da Codel, Bruno Veronesi, afirma que é mais fácil manter empresas na cidade do que trazer novas. Parte dos beneficiados são empreendimentos para os quais a prefeitura já havia cedido terrenos em outras gestões. Porém, por falta de acesso a energia elétrica ou dificuldade em conseguir alvarás, os industriais não puderam iniciar as obras e perderam direito sobre as áreas, próximas à Avenida das Maritacas, na zona norte. "Era culpa do município, que não tinha oferecido infraestrutura, e a maioria já negociava a ida para Ibiporã."
O trabalho para manter empresas em Londrina é o primeiro passo para uma política de fomento industrial, que ainda engatinha no município. Veronesi evita criticar prefeitos anteriores, mas não aprova o contentamento com o título de cidade prestadora de serviços. "Uma coisa não exclui a outra. Sempre que uma nova indústria se instala, há aumento da oferta de serviços oferecidos na região", diz.
Para ele, faltou captação de empreendimentos nos últimos anos e muitos acabaram em cidades vizinhas. Prova disso são os números do último balanço do Paraná Competitivo, de novembro de 2012. A região ficou apenas com 1,1% dos R$ 20 bilhões investidos no Estado por intermédio do programa, que garante incentivos fiscais para atrair empresas. Foram R$ 230 milhões em quase dois anos, dos quais R$ 10 milhões aportados em solo londrinense, pela Officer Distribuidora. Desempenho que foi pior do que o de Cambé, com R$ 150 milhões pela Vilma Alimentos, e de Rolândia, com R$ 69 milhões por três empresas (leia mais no box).
A formalização de um parque industrial na cidade é o próximo passo. A Codel aguarda a formalização da cessão ao município de um terreno com 800 mil metros quadrados para instalação de até 160 indústrias, na zona norte. A área pertence à Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina, conta com vias asfaltadas e fica próxima à PR-445 e a unidades de fornecimento de gás e de energia elétrica. "Quando a indústria chega para se instalar, é importante achar rapidamente um local. Por isso o parque é importante."
Assessor em Londrina da presidência da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Clovis Coelho afirma que, a pedido da Codel, começou a reunir dados sobre parques tecnológicos na entidade paranaense, para embasar a criação do loteamento. Ele acredita que a doação de áreas seja até menos importante para empresários do que ter um local pronto para a instalação. Ele concorda que faltou à cidade políticas de atração de investimentos. "É o empresário que decide para onde vai e quem chegar primeiro leva."

Em 60 dias


Dez propostas, já redigidas como projetos de lei, foram encaminhadas à Comissão Especial de Planejamento, Implantação e Acompanhamento Industrial da cidade nos últimos 15 dias. Outros seis serão enviados no dia 10 e mais três até o fim do mês. No órgão, representantes do Executivo, da Câmara, de entidades patronais e de trabalhadores e de outras instituições públicas locais definem se vale a pena oferecer o benefício aos empresários. Se aprovados, o presidente da Codel, Bruno Veronesi, diz que os textos vão para o Legislativo e que devem ser votados em 60 dias.

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