A prefeitura de Londrina nega prejuízos com a venda das ações da Sanepar, feita em 25 de setembro através de edital. O Secretário da Administração, João Araújo, admite ter recebido carta do presidente da Bolsa de Valores do Paraná, José Eduardo Alves Ferreira, alertando sobre a possibilidade de perdas, mas descarta o mau negócio. ‘‘Realmente recebemos o alerta. Mas eles não deram nenhuma garantia de que teríamos um valor mais alto com a venda na Bolsa, já que se trata de um mercado especulativo’’, argumenta João Araújo. Ele acrescenta que durante o processo foram contratadas diversas corretoras que apontaram um valor mínimo de R$ 0,30 por ação. ‘‘Essas avaliações estão anexadas ao processo’’, diz.
Araújo diz ainda que não tem cabimento a comparação entre a venda das ações da Sanepar feita por Londrina e a feita por Umuarama, através da Bolsa. No último caso, a prefeitura daquela cidade conseguiu um preço unitário de R$ 0,52 para um lote de 895 mil ações. ‘‘Não dá para comparar porque Londrina estava vendendo mais de cinco milhões de ações. E em função do lote ser maior o preço é menor.’’ Em Maringá, acrescenta o secretário, foram vendidas nove milhões de ações por um preço de R$ 0,25 cada.
Sobre o argumento de que o lote poderia ser divido em vários lotes - e assim conseguir um preço melhor -, João Araújo afirma que isso não foi feito em função da urgência do Município em vender as ações mais rapidamente; na época, segundo ele, a Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml) cobrava dívidas junto ao município e ameaçava na justiça tomar bens públicos em troca.
Para João Araújo, só existe uma explicação para a notícia ter sido divulgada quase dois meses depois da venda das ações: motivação política. ‘‘Não dá para entender de outra forma. Por que então só levantaram isso agora?’’, questiona. ‘‘É prejuízo na cabeça dele. O presidente da Bolsa foi leviano em dizer isso’’, conclui.

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