No que depender da administração do prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), a Lei da Muralha será mantida e, além dos grandes supermercados, os shoppings só poderão ser construídos na periferia da cidade. ''A lei é muito importante para proteger a qualidade de vida da população'', afirma a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Regina Nabhan.
A lei 9.869/05 estabeleceu um quadrilátero na cidade no qual supermercados com mais de 1.500 metros de área de venda e lojas de material de construção com mais de 500 metros de área de venda estão proibidos. Essa área envolve toda a região central de Londrina, e quase integralmente as regiões Sul e Oeste. Parte da Zona Norte também fica dentro do quadrilátero. ''Na minha visão, tem de preservar a lei'', afirma Regina.
Na terça-feira, o líder do Executivo na Câmara, vereador Roberto Fu (PDT), conseguiu retirar da pauta em definitivo um projeto de lei da Prefeitura que incluía os shoppings nessas restrições. Apesar de negar que um novo projeto tratará especificamente dos shoppings, Regina afirma que esses empreendimentos também não devem ser permitidos no quadrilátero. Nos próximos 30 dias, o Ippul deverá enviar ao Legislativo uma proposta de regulamentação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), que compõe o Plano Diretor.
Roberto Fu, que é autor de um projeto de lei revogando a Muralha, se reúne hoje cedo com Barbosa Neto para ''tentar um acordo que fique bom para Londrina''. Para o vereador, a lei 9.869 representa uma reserva de mercado que visa beneficiar os empresários que já estão instalados no quadrilátero. ''Também concordo que o Centro não comporta mais grandes empreendimentos, mas fechar quase toda a cidade é um absurdo'', considera.
O empresário Osvaldo Pitol, do Movimento Londrina Competitiva, afirmou que o prefeito está''equivocado'' ao tentar proteger as empresas já estabelecidas. ''Nós achamos produtivo disciplinar a questão ambiental, fazer análise de vizinhança e de tráfego, mas somos contra discriminar um ou outro tipo de empreendimento'', disse.
Para ele, a Lei da Muralha prejudica o cidadão que paga o preço da falta de concorrência. ''Esta lei não faz bem para ninguém, nem mesmo para as empresas que estão sendo protegidas por ela'', destacou.

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