A prefeitura de Londrina autuou, em 2011, mais de 400 empresas com problemas na documentação; lacrou outras 210 e expediu 50 mandatos de cassação de alvará - o que representa um aumento de 30% em relação ao ano anterior. Com o aquecimento da economia, muitas empresas se instalaram em Londrina para disputar o mercado, porém, nem todas conseguiram se firmar.
Muitas delas abriram as portas com licenças provisórias. Programas existentes para facilitar a vida do empresário como o ''Alvará Fácil'', auxiliaram nesse processo, no entanto, com o término dos prazos, as empresas precisam se regularizar e não o estão fazendo.
''Em vários casos de atuações, o fiscal acaba tendo que lacrar o local devido ao número de irregularidades. Muitos estabelecimentos, depois de autuados, não conseguem regularizar a atividade, mas continuam trabalhando, o que acaba culminando com o lacramento do local'', explica o gerente de Fiscalização de Atividades Econômicas da Secretaria municipal de Fazenda, Nicolsen Barros.
De acordo com Barros, as empresas interessadas conseguem providenciar a documentação necessária e continuar com as suas atividades normalmente, mas ainda existem aquelas que esbarram na formalização. ''Acabamos até estendendo um pouco o prazo, por saber das dificuldades que existem, mas infelizmente, mesmo com esta flexibilização, algumas empresas não conseguem se regularizar. E quando isso não acontece, existem sanções legais pelas quais essas empresas devem passar'', ressalta o gerente.
No começo dessa semana foi publicada no Diário Oficial do Município uma lista com os nomes de empresas cujos alvarás estão vencidos. 498 empresas de Londrina aparecem nesta lista.
Para o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante, são muitos os fatores que dificultam o caminho para o empresário que deseja sair da informalidade. Segundo ele, ''o entrave, em vários casos, fica por conta do poder público''. Esquiante lembra que é grande o número de laudos e documentos que precisam ser emitidos, mas que por falta de servidores em alguns setores, demoram meses até serem analisados pela prefeitura.
''Laudos e licenças feitas pelo Corpo de Bombeiros, Instituto Ambiental do Paraná ou até mesmo pela Vigilância Sanitária, por exemplo, levam muito tempo até serem analisados. A prefeitura publicou a lista com os nomes dos empresários em débitos com a Fazenda, mas não revelou quantas destas quase 500 empresas já deram entrada na papelada'', lembra Esquiante.
Geralmente o trâmite desta documentação é feito pelos contadores que informam os empresários sobre o andamento do processo. Porém, alerta Esquiante, é essencial que o empresário contrate bons profissionais e empresas capazes de resolver os problemas. ''Em muitos casos o empresário não aceita pagar o honorário justo para o serviço a ser executado. E, no anseio de buscar soluções rápidas e baratas, acaba contratando profissionais que não vão resolver os seus problemas. Eles não compreendem o tamanho da responsabilidade atribuída ao contador, toda vez que há a necessidade de se realizar qualquer documentação desse tipo'', alerta o presidente do Sescap de Londrina.
''A realidade enfrentada pelas pessoas que querem abrir um empreendimento na cidade é desanimadora. Tanta burocracia causa prejuízos não só para o empresário, mas para o próprio município'', diz Esquiante, mesmo assim ele recomenda que os empresários formalizem seus negócios o quanto antes para evitar maiores transtornos com a fiscalização.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr.

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