Prefeitura de Londrina vê resiliência no mercado de trabalho local
Efeito sazonal e cenários macroeconômicos interno e externo são apontados como causas para crescimento menor em maio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de julho de 2026
Efeito sazonal e cenários macroeconômicos interno e externo são apontados como causas para crescimento menor em maio

A retração na oferta de vagas de emprego observada na maioria dos setores da economia local, no último mês de maio, é avaliada pela Prefeitura de Londrina mais como um reflexo das questões macroeconômicas e dos efeitos da sazonalidade do que como uma fraqueza estrutural ou permanente do mercado de trabalho londrinense.
O secretário municipal do Trabalho, Emprego e Renda, Cristian Roberto Marcucci, comparou os dados do Caged referentes a Londrina com os números apresentados por municípios paranaenses de mesmo porte, como Cascavel e Maringá, que tiveram saldos positivos de 266 e 154 vagas, respectivamente, em maio de 2026. Ponta Grossa, encerrou o quinto mês do ano com 113 novos postos de trabalho. “O ano passado foi muito bom, de pleno crescimento do emprego em Londrina e o sarrafo ficou alto”, comentou o secretário.
Na análise setorial, o fato de serviços ter sido a única atividade na qual as admissões superaram os desligamentos, contribuindo fortemente para o resultado geral positivo, Marcucci avaliou que o resultado reforça a vocação da cidade. “A gente sempre performa muito bem nessa questão.” O setor de serviços criou 625 vagas em maio.
“De maneira geral, Londrina segue com mais de três mil postos criados e pontualmente, nesse mês, Curitiba teve saldo negativo (-356). Ao destrinchar os dados por áreas tem variações, mas a gente está, de maneira geral, resiliente”, afirmou Marcucci. “Semanalmente, há pelo menos 500 vagas disponíveis no Sine, em diversos ramos, para todos os perfis. Para quem busca vaga, ainda tem muita oportunidade.”
O comércio, que ao lado de serviços costuma influenciar positivamente no resultado geral, em maio registrou saldo negativo em geração de emprego, com 77 vagas a menos. “Imagino ser uma sazonalidade do mês porque nos dois últimos anos, o mês de maio ficou negativo. É uma tendência da época.”
O ICEC (Índice de Confiança do Empresário do Comércio), apurado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e pela Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná), pode ajudar a explicar o desempenho do comércio no Caged. Divulgado nesta quarta-feira (1º), o índice apontou que os comerciantes paranaenses chegaram ao final do primeiro semestre mais cautelosos em relação ao ambiente de negócios. Em junho, o indicador recuou 3,1% ante maio, atingindo 93,1 pontos e permanecendo abaixo da linha dos 100 pontos, considerada a zona de satisfação.
A confiança é menor entre os micros e pequenos empresários. Enquanto nas empresas com mais de 50 empregados o ICEC cresceu 2,6% no mês passado, chegando a 126,7 pontos, entre as menores empresas o indicador ficou em 92,5 pontos, queda de 3,3% na variação mensal, refletindo uma visão menos otimista sobre o cenário atual (-4,9%) e perspectivas mais cautelosas para os próximos meses (-4,6%).
Presidente do Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina), Ovhanes Gava discorda que o desempenho do comércio seja uma questão sazonal. Ele lembrou que o setor começou 2026 com retração de 1,5% e os resultados do varejo até agora não foram suficientes para a recuperação, o que se reflete no mercado de trabalho. “No Dia das Mães, tivemos queda de 5%, consequência do Desenrola Brasil, lançado às vésperas da data comemorativa e que abriu o buraco dos inadimplentes e dos endividados, e da chuva que caiu na véspera. No Dia dos Namorados, foi zero a zero e agora, vamos esperar o Dia dos Pais, que nos últimos anos têm aumentado as vendas.”
Embora os varejistas de Londrina venham observando, nos últimos anos, uma perda de força nas vendas do Dia das Mães e um fortalecimento do Dia dos Namorados e Dia dos Pais, Gava não aposta em superávit do setor até o final do ano. “Não é ser pessimista, mas realista. Vamos ter eleições e a briga política cria um cenário de incertezas”, comentou.
Em relação aos números da indústria, Marcucci acredita que o resultado negativo seja efeito de questões macroeconômicas internas e externas, como a taxa de juros elevada, que inibe os investimentos do setor, e as incertezas geradas pelos conflitos no Oriente Médio e as ameaças de taxação pelos Estados Unidos. “A gente vive um cenário global um pouco mais desafiador, o que interfere na produção e nos empregos.”
A surpresa, apontou o secretário, foi a construção civil, que apesar de atravessar um ótimo momento, impulsionada pela expansão imobiliária no município, ficou com saldo negativo de 122 postos de trabalho. “A construção vem crescendo de uma maneira muito sólida desde o ano passado, foi o primeiro mês negativo em muito tempo, saiu da projeção. Mas pode ser uma coisa pontual, a gente vai monitorar.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


