Prefeitos precisam ficar atentos a contabilidade
Os reflexos mais evidentes da crise que assola vários países do mundo ainda não são tão perceptíveis no Brasil. O movimento nas lojas e supermercados no final de ano mostrou que as pessoas ainda tinham algum dinheiro no bolso e que ainda não se atentaram para o que está acontecendo lá fora. Porém, quem tem parentes trabalhando em outros países vem recebendo informações nada animadoras. Dekasseguis que há anos seguem para o Japão em busca de salários melhores começam a fazer o caminho de volta. Muitas empresas japonesas estão transferindo suas operações para a China onde a mão de obra é mais barata.
Dias atrás, o pai de um jovem londrinense que é motorista de táxi em Miami, Estados Unidos, se dizia preocupado. O filho dele fazia perto de 20 corridas por dia e ainda recebia uma gorjeta generosa dos passageiros já que a cidade é ponto turístico. Nas últimas semanas o movimento caiu 75% e ele pensa até em retornar a Londrina.
Trazendo o problema para nossa aldeia, é só percorrer as ruas de Londrina onde se concentram revendas de carros usados para perceber o clima de desespero. Os preços dos veículos usados despencaram e o que é pior, mesmo assim ninguém está comprando. ''Chega um momento em que o empresário começa a demitir funcionários ou então fecha as portas. A situação é preocupante'', diz o presidente do Sescap-Ldr José Joaquim Martins Ribeiro. Segundo ele os exemplos acima são um alerta para os novos prefeitos que estão assumindo os cargos.
Alguns prefeitos parecem que estão entendendo o recado. Em Cambé, o novo prefeito João Pavinato (PSDB) já avisou que preencherá apenas metade dos cargos comissionados. Em Curitiba, no discurso de posse, o prefeito reeleito Beto Richa (PSDB) também avisou que irá apertar o cinto para ter caixa para investimentos na cidade.
Em Londrina, o prefeito interino, Padre Roque (PTB), pretende trabalhar com a metade do número de secretarias. Algumas serão acumuladas, como por exemplo: Meio Ambiente e Agricultura. ''O caminho é este mesmo. Quando a economia reflui, a arrecadação cai. Com menos arrecadação de impostos, os governos têm que se adaptar a nova realidade. É importante enxugar a máquina mesmo que isto signifique descontentar os apaniguados. Outro problema é que, diferentemente do setor privado que quando sofre uma crise, reduz o quadro de funcionários, no setor público esta possibilidade não existe, não se pode demitir servidores. Sendo assim o custeio da máquina precisa ser equilibrado de outras formas'', diz Ribeiro.
E é nestas horas que o contador faz a diferença. Os novos prefeitos devem mudar sua atitude este ano e começar a visitar mais os setores de contabilidade da prefeitura. ''É essencial que eles tenham um olho voltado para a receita que entra e o outro para o que está sendo gasto. As perspectivas para 2009 não são boas e nada melhor do que o acompanhamento diário dos números para controlar a gestão. Neste momento, toda cautela é necessária'', afirma Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina (Sescap-Ldr)





