Na disputaOs prefeitos de Maringá, Jairo Gianoto (foto superior), e Jocelito Canto, de Ponta Grossa (foto do meio): aproximação de Belinati (foto inferior) com Lerner pode influenciar escolha do município-sede da Suzuki

As prefeituras dos municípios de Londrina, Ponta Grossa e Maringá acompanham com atenção todos os passos da negociação entre governo do Estado e montadora Suzuki para saber se vão ou não ser escolhidas para receber o investimento. Apesar de o acordo de instalação ainda não ter sido assinado, os prefeitos iniciaram o jogo de pressão em cima do governo. Ponta Grossa e Maringá cobram do governador Jaime Lerner (PFL) um critério técnico e não político para a escolha do município-sede.
Os prefeitos Jairo Gianotto (Maringá-PSDB) e Jocelito Canto (Ponta Grossa - sem partido) temem que Londrina seja beneficiada devido à aproximação política de Lerner com o prefeito Antonio Belinati (PDT), marido da vice-governadora Emília Belinati. ‘‘Pedimos ao governador que não se premie politicamente o município que receberá a Suzuki’’, ressaltou Gianotto. Na terça-feira da semana passada, ele e um grupo da prefeitura de Maringá estiveram na Casa Civil e na Secretaria de Indústria e Comércio para falar sobre a Suzuki. O secretário da Indústria e Comércio, Nelson Justus disse que ‘‘até agora não se falou no nome de nenhuma cidade para a Suzuki’’.
Ponta Grossa também tem a mesma preocupação de Maringá. ‘‘Estamos na disputa pela Suzuki. Londrina pode ter a preferência política, mas nós temos a logística’’, afirmou o secretário municipal de Indústria e Comércio, Herculano Lisboa. O secretário disse estar preocupado devido ao fato de Lerner e Belinati terem afinidades políticas antigas e de a vice-governadora ter visitado a matriz da da montadora japonesa, na primeira quinzena de dezembro.
Lisboa afirmou que os executivos da Suzuki conversaram com ele e com técnicos da prefeitura, na semana passada. O grupo formado por seis representantes da montadora esteve em reunião com o governador Jaime Lerner e com Nelson Justus, terça e quarta-feira da semana passada. ‘‘O negociador que vem na frente é muito frio, mas eles já sabem que temos um bom potencial de investimento’’, afirmou o secretário. Justus teria descartado a possiblidade de a Suzuki optar por Ponta Grossa.
Os representantes da Suzuki não chegaram a visitar Maringá. Mas o município está na lista dos que têm condições receber o investimento. ‘‘O governador Jaime Lerner prometeu um mega investimento para Maringá, que até agora não ocorreu. O direito agora é nosso’’, reivindicou o prefeito. Ele disse que assim como em Maringá, Cascavel e Guarapuava não tiveram investimentos industriais de grande porte. Maringá recebeu a indústria francesa de embalagens para perfumes Augrus. O investimento será de R$ 70 mil em três anos.
A Secretaria Municipal de Ponta Grossa assegura que já atraiu R$ 1,1 bilhão em investimento industrial. Entre as fábricas que estão se instalando no município está a Tetrapack (embalagens longa vida), Beauliel (carpetes), Continental Pneus (pneus) e Grupo Sadia.
Enquanto Maringá e Ponta Grossa, lutam para participar da disputa da Suzuki, Londrina trabalha em silêncio. ‘‘Sobre Suzuki não falamos nada’’, afirmou o presidente em exercício da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), José Cândido Muller. Ele reforçou que o sigilo é ‘‘vital’’, quando se fala em investimento industrial.

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