Cascavel - As dificuldades econômicas enfrentadas pela Chapecó estão preocupando os municípios da região Oeste que possuem agricultores integrados à empresa. Nos próximos dias, a empresa estará concedendo férias coletivas aos funcionários da unidade de Cascavel e existe o temor de que as atividades não sejam retomadas. Para discutir o problema, o prefeito de Cascavel, Edgar Bueno, recebeu ontem em seu gabinete, representantes de vários municípios da região.
A unidade da Chapecó abrange 20 municípios do Oeste paranaense. Pertencente ao grupo argentino Macri, o frigorífico possui 423 agricultores integrados e abate cerca de 160 mil frangos por dia. Em todo o processo, consome ainda dez toneladas de ração por mês. ''São cerca de 3.500 empregos diretos e indiretos'', lembrou Bueno.
Em nota divulgada nesta semana, a empresa informou que no dia 20 de janeiro paralisou o alojamento de pintinhos na unidade de Cascavel, atividade ''que deverá ser retomada'' até 3 de março. Ainda segundo a nota, os abates prosseguem normais até o final de fevereiro, Mas entre 1º a 7 de março serão concedidas férias coletivas aos funcionários.
Durante a reunião, o prefeito de Cascavel entrou em contato com o diretor da empresa, Alex Fontana, que aceitou se reunir na próxima semana com uma comissão para repassar a realidade da unidade no Oeste do Paraná e os planos da empresa. Bueno disse aos demais prefeitos que recebeu garantias de Fontana de que a unidade não fechará.
De acordo com o jornal Valor Econômico, em sua edição de ontem, bancos que atuam no plano de reestruturação e credores da Chapecó estudam o arrendamento das unidades do frigorífico como uma das alternativas para o grupo Macri. Somente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) detém 37% do capital da empresa que ainda conta com a participação de vários bancos e do próprio Governo do Paraná, através da Agência de Fomento. Calcula-se que a empresa tem uma dívida de R$ 9 milhões com o Estado do Paraná.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Capitão Leônidas Marques, José Lino Bergamin, ressaltou que algumas empresas do setor na região já mostraram interesse no arrendamento ''dando um alento aos agricultores''. Uma das empresas interessadas é a Globoaves, que propõe ficar apenas com a unidade de Cascavel. A empresa, inclusive, já formalizou sua intenção junto ao BNDES.
Bergamin comentou que existe o temor de que a Chapecó volte a encerrar suas atividades como ocorreu em 1997. Alguns agricultores chegaram a fazer greve de fome no pátio do frigorífico em protesto pela falta de uma solução. O impasse foi superado com a aquisição da empresa pelo grupo Macri que passou a comandar os frigoríficos de aves em Cascavel e Xaxim (SC), e de suínos em Chapecó (SC) e Santa Rosa (RS).

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