Prefeito sugere que Câmara revogue plebiscito
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Balanços apresentados na semana passada pela Sercomtel mostram que a telefonia celular ''sugou'' boa parte do lucro que a fixa obteve em 2005. Enquanto a fixa fechou o ano com lucro de R$ 5 milhões, a móvel teve um lucro de R$ 2 milhões mas consumiu R$ 6,5 milhões em subsídios, apresentando um prejuízo de R$ 4,5 milhões. A telefonia fixa tem 95% do mercado e a móvel responde por uma fatia de 43%.
A concorrência é a principal pedra no sapato da Sercomtel Celular, empresa que o prefeito Nedson Micheleti queria ter vendido há 5 anos mas acabou derrotado no plebiscito em que a população votou contra a venda. De lá para cá, o prefeito reafirmou por diversas vezes que respeitaria a votação da população, mas hoje admite que o plebiscito é uma entrave para eventuais negociações. E mais: se a venda não estivesse condicionada ao pebiscito, o município poderia aproveitar possíveis oportunidades de negócio.
''O plebiscito é um entrave. Revogá-lo não significa que está se autorizando a venda, mas sim tirando um entrave numa eventual oportunidade de negócios. Revogando, teríamos condições de acompanhar o mercado, ver as oportunidades de negócio e, num determinado momento, se surgisse a hipótese de venda, teríamos uma maior mobilidade. Isso pode acontecer na minha gestão ou com o próximo prefeito'', explica Nedson.
Numa das hipóteses, se essa oportunidade de negócio surgisse em seu mandato, o prefeito adianta que mandaria um projeto à Câmara pedindo a autorização para a venda. ''Este seria o caminho ideal, porque hoje o plebiscito inviabiliza qualquer discussão que possa surgir'', completa.
Por outro lado, o Executivo não quer carregar o ''ônus'' de enviar um projeto à Câmara neste sentido. ''Não cabe ao prefeito esta iniciativa, até porque fui derrotado em 2001 quando tentei vender a celular. Isso caberia à Câmara, teria que ser uma iniciativa dela, porque foi ela quem aprovou o plebiscito'', argumenta o prefeito, acrescentando que o plebiscito é uma questão política que teria que ter a iniciativa dos vereadores.
Questionado por que seu líder (vereador Lourival Germano) na Câmara não faz isso, o prefeito responde: ''Como já disse não é uma decisão do prefeito, mas da Câmara. Não posso ingerir na atuação da Câmara, não me passa pela cabeça fazer isso''.
A lei do plebiscito, de autoria do vereador Tercílio Turini (PPS), que na época era PSDB (cujo partido é o principal adversário do PT em Londrina), transformou, na opinião do prefeito, uma questão técnica em política. Para Turini, se o município deseja vender a Sercomtel Celular só há dois caminhos:''um deles é revogar a lei e o outro é fazer novamente o plebiscito''.
''Ter 40% no mercado hoje é um percentual significativo, mas é lógico que se a empresa estiver perdendo sistematicamente os clientes, tem que se analisar e ver se a operadora tem espaço para brigar. Eu particularmente preciso de uma análise de mercado para saber se a empresa não é mais competitiva. Sei que o mercado existe, está em expansão. Se o produto é bom ele tem mercado, apesar da concorrência grande'', argumenta o vereador. Segundo ele, qualquer vereador ou o Executivo podem pedir a revogação do plebiscito. ''Para eu pedir a revogação do projeto, eu teria que entrar num processo de convencimento de que chegou a hora de vender'', completou Turini.
A assessoria de imprensa da Copel, que detém 45% das ações da Sercomtel, informou que ainda não recebeu formalmente o balanço da operadora e que não se sente confortável para comentar os resultados da empresa.


