O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff, revogou o decreto municipal 1.024, que tornava de utilidade pública uma área de 5,7 mil hectares, perto da Mata dos Godoy (zona sul), onde se planeja instalar o projeto Arco Norte. A revogação havia sido recomendada pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Segundo Kireeff, no entanto, outros motivos pesaram na sua decisão.
"Nosso entendimento é de que o cronograma deve ser outro. Antes do decreto, é preciso fazer o estudo de viabilidade e de impacto ambiental. Com estudo aprovado, aí sim caberia um decreto", diz o prefeito. A declaração de utilidade pública foi feita pelo ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) em 2011 e sofreu protesto por parte dos proprietários das áreas e dos ambientalistas.
Questionado sobre a recomendação da promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, Kireeff afirmou que o documento "desencadeou o debate" e contribuiu para sua decisão.
Entidades envolvidas com o Arco Norte procuraram minimizar a decisão do prefeito. "A Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) vê com tranquilidade. O prefeito nos garantiu que, caso o estudo de viabilidade seja positivo, ele irá fazer novo decreto", disse o presidente da entidade, Flávio Balan. Com a Sociedade Rural do Paraná (SRP), a Acil forma uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) que busca viabilizar o Arco Norte. "O prefeito nos disse que acha a área reservada grande demais. Em caso de novo decreto, pode ser que ela seja reduzida", diz Balan.
Consultor responsável pelas apresentações do Arco Norte, Marcelo Mafra avaliou a medida de Kireeff como "cautelosa". "Ela atende o posicionamento do Ministério Público, mas não faz grande diferença porque um novo decreto pode ser baixado", afirma.
O Arco Norte é um projeto de desenvolvimento regional que tem como âncora um aeroporto internacional de cargas . Ele também envolve os municípios de Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Assaí, Jataizinho e Ibiporã.
O projeto ganhou o apoio do governo do Estado, que trouxe para Londrina uma comissão de representantes da Agência dos Estados Unidos para o Comércio e o Desenvolvimento (USTDA). No dia 28 de fevereiro, o secretário de Transporte e Infraestrutura, José Richa Filho, acompanhou os norte-americanos que sobrevoaram a área. A expectativa é que a USTDA faça o estudo de viabilidade do Arco Norte. A agência ainda não deu a reposta.
A reportagem não conseguiu localizar a produtora rural e presidente da Associação dos Amigos da Mata dos Godoy Maria Helena Godoy para repercutir a revogação do decreto.

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