Prefeito quer 'sócio estratégico' que invista em telefonia móvel
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segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Nelson Bortolin Reportagem Local 
A Prefeitura de Londrina vai encaminhar um projeto à Câmara de Vereadores com objetivo de revogar a lei que exige plebiscito para alterar o quadro acionário da Sercomtel. A intenção, segundo o prefeito Marcelo Belinati (PP), é abrir caminho para um "sócio estratégico" investir na área de telefonia celular. O serviço vem dando prejuízo de cerca de R$ 15 milhões por ano à operadora. De forma geral, Belinati garante que a telefônica está operando no azul.

Dirigentes da Copel, empresários, vereadores, além do prefeito, participaram nesta segunda-feira (15) de uma reunião na prefeitura na qual foi apresentada a proposta de recuperação da Sercomtel, cujas ações pertencem ao Município (55%) e à companhia estadual de energia elétrica (45%). Belinati enfatizou que o parceiro que a empresa pretende buscar é apenas para a telefonia móvel, mas não explicou como isso será feito. Desde 2012, os serviços de banda larga, telefonia fixa e móvel são ofertados pela mesma empresa, a Sercomtel Telecomunicações. "Isso tem de ser feito dentro de um processo legal de chamamento publico para que os interessados possam participar", disse o prefeito. "O controle societário não muda", garantiu.
Outra aposta dos sócios é na ampliação dos serviços prestados por fibra ótica, graças a um investimento de R$ 60 milhões da Copel Telecom em cabeamento na cidade. Ele ressaltou que, em protocolo de intenções já enviado à Anatel no início do mês, conforme adiantou a FOLHA, os sócios se comprometeram a apresentar um plano de negócios para a operadora, que será elaborado por uma consultoria a ser contratada pela Copel.

Belinati ainda garantiu que a Sercomtel passará por restruturação administrativa e cortes de despesas, além de renegociação de dívidas. "O mais importante é a gente aprovar o plano de negócios para ir à Anatel mostrar que nosso protocolo de intenções está sendo concretizado."
O diretor de Desenvolvimento de Negócios da Copel, José Marques Filho, disse que o plano será discutido em reunião do Conselho de Administração da companhia nesta quarta-feira (17). Em agosto, o colegiado aprovou a recomendação do CAE (Comitê de Auditoria Estatutário) para que não sejam feitos novos investimentos na Sercomel, que vive sua pior crise financeira. Marques Filho afirmou ter certeza que é possível reverter essa orientação do conselho. "Vamos mostrar que nosso plano é viável", declarou.
Ele também acredita que o plano será suficiente para fazer a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) suspender o processo de caducidade e cassação das outorgas dadas para a Sercomtel oferecer telefonia fixa, celular e banda larga. "Ainda neste anos vamos conseguir parar esse processo", disse.
Desde a semana passada, está aberta aberta no site da agência uma consulta pública para receber contribuições da sociedade para um edital que, no futuro, poderá relicitar as licenças da Sercomtel para outra empresa.
O diretor confirmou que no protocolo de intenções, há previsão de aportes financeiros pelos sócios. Mas não disse quanto nem quando esse dinheiro será aplicado. "Isso ainda está em estudo."
PASSIVOS
O último balanço publicado no site da empresa, referente a 2017, mostra passivos de R$ 66,640 milhões de curto prazo e de R$ 163,456 milhões de longo prazo, com vencimento em mais de 12 meses. O total oficial de dívidas da empresa, a maior parte com impostos e ações judiciais, é de R$ 230,094 milhões. Mas pode ser bem maior se considerados todos os processos movidos contra ela.
A receita bruta da Sercomtel no ano passado foi de R$ 285,593 milhões. O balanço mostra ainda prejuízos acumulados de R$ 179,637 milhões.


