Imagem ilustrativa da imagem Prefeito quer mudar Plano Diretor para atrair indústrias
| Foto: Ricardo Chicarelli


Atrair desenvolvimento econômico para Londrina exigirá alterações no Plano Diretor, com definição de área para uma cidade industrial voltada para empreendimentos grandes. A opinião é do prefeito Marcelo Belinati (PP), que considera que é preciso garantir a infraestrutura e a segurança jurídica para os investimentos, bem como a desburocratização de processos legais como a obtenção de licenças, para facilitar a chegada de investimentos e empregos nos próximos anos.
A administração espera enviar nos próximos dois meses à Câmara Municipal os projetos para a criação de um parque industrial na Zona Norte para empresas de menor porte – projeto iniciado na gestão do ex-prefeito Alexandre Kireeff (PSD) - e da cidade industrial, em região que o Belinati diz preferir não divulgar para evitar especulação financeira. Paralelamente, pedirá alterações durante a revisão da Lei do Zoneamento e Uso e Ocupação do Solo, uma das oito que compõem o Plano Diretor que tem validade até o fim de 2018.
Ele afirma que uma equipe da Prefeitura estuda a revisão do plano e da planta de valores desde o início deste ano e que trouxe duas pessoas especializadas nos temas para estruturar propostas. E acredita que há muitos vazios urbanos usados para especulação que poderão servir para empreendimentos. "Acredito que vai ser um marco divisor na cidade o lançamento da cidade industrial e a alteração no plano diretor é fundamental", diz Belinati. O projeto é discutido com representantes de entidades ligadas ao setor, como do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção do Norte do Paraná).
Sobre o parque na Zona Norte de Londrina, chamado de Cilon I pela administração anterior, Belinati afirma que o projeto original o faz mais apropriado para empresas pequenas ou médias já estabelecidas na cidade e que precisem de um local para ampliação, estabelecidas na categoria zona industrial 1 e 2. Ele considera que a falta de infraestrutura na região, na continuação da avenida Saul Elkind, em direção a Cambé, é um limitador, mas diz que o projeto não será abandonado. O prefeito também diz ser possível rever o zoneamento local para permitir empresas de maior porte. "Em razão do manancial do Jacutinga, que abastece Ibiporã, o parque da zona norte não pode receber indústrias que poluem", diz.

IDEALIZADOR
Procurado pela reportagem, o prefeito anterior, Alexandre Kireeff, concorda que o local é voltado para empreendimentos não poluentes. Ele diz que a escolha da área se justifica por ser próxima ao maior bairro residencial de Londrina. "O principal que fizemos foi a aquisição da área, com loteamento e o encaminhamento das licenças ambientais, com tratativas com a Promotoria do Meio Ambiente. Também tivemos o compromisso do governo do Estado de viabilizar R$ 20 milhões para o financiamento da infraestrutura, que foi autorizado pela Câmara", diz.
Sobre o parque para indústrias pesadas que a administração passada idealizou para a Zona Sul, Kireeff enxerga dificuldades. "Tínhamos o zoneamento aprovado no Plano Diretor, mas uma ação na Justiça contestou a redução da zona de amortecimento da Mata dos Godoy e tivemos de rever a questão", diz. "Esse foi um grande desafio para a nossa administração e também será para a atual", completa.
A professora Eliane Tomiasi Paulino, do departamento de Geociências da UEL (Universidade Estadual de Londrina), afirma que a revisão do plano é benéfica porque há um hiato de uma década entre a formulação e o fim do processo. Para ela, mudanças devem ocorrer, sempre de maneira adequada e de forma a contemplar medidas estratégicas do Município. "Por isso que, quando revisamos o Plano Diretor, perguntamos qual é a cidade que queremos, mas temos de pensar isso na totalidade da malha urbana", diz.
Ela cita que o processo deve ser bem discutido de forma a evitar mudanças pontuais, que ainda ocorrem por Londrina ter a herança de regulamentações ruins do passado. "A não ser que seja em situação de emergência, 'mudancinhas' são muito discutíveis, porque são tomadas em benefício de uma empresa, sem que se considere a amarração com as residências e a malha viária, por exemplo", cita Eliane.
A especialista considera que os parâmetros do plano para indústrias também podem ser rediscutidos durante a revisão, sempre com base em três princípios. A natureza da atividade e o porte, diz, são duas vertentes que devem ser consideradas em conjunto, porque ambas implicam em mudanças no ambiente. A terceira é a localização. "Se pensamos em indústria leve e se permite uma pesada, mesmo que não polua, não se garante que a infraestrutura suportará a extensão do empreendimento. Por isso, é preciso pensar no conjunto", conclui.

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