A proposta da Prefeitura para a duplicação da PR-445 não envolve concessão nos moldes tradicionais e tampouco parceria público-privada (PPP). A ideia é o próprio Município contratar o financiamento, num valor estimado de R$ 210 milhões, fazer a obra e, depois de pronta, iniciar a cobrança de pedágio também por contra própria. Os valores arrecadados numa única praça serviriam para fazer a manutenção da via e para retornar o investimento ao Município. Com uma tarifa de cerca de R$ 5, o prefeito Alexandre Kireeff calcula que, em 12 anos, a obra se pagaria.
Kireeff realizou ontem pela manhã uma coletiva de imprensa no seu gabinete para revelar mais informações sobre o projeto. A intenção é que o trecho de 67 quilômetros seja delegado pelo Estado ao Município por um período de 25 a 30 anos. O pedido de Delegação de Competência foi entregue ao governo na última quarta-feira. E, segundo o próprio prefeito, se aceito, será o primeiro caso no País de um município receber do Estado a responsabilidade por uma rodovia.
"Nossa intenção não é promover uma PPP ou terceirizar a duplicação e gestão. É promover essa duplicação e gestão por conta própria", garante. Ele afirma que Londrina tem capacidade de contratação de R$ 1 bilhão em financiamento por estar com as contas equilibradas.
O modelo que Kireeff pretende implantar tem semelhanças com o que o Rio Grande do Sul adotou em 2012. Após o encerramento dos contratos assinados com concessionárias na década de 1990, o governo gaúcho resolveu ele mesmo explorar o pedágio. Para administrar 10 rodovias, foi criada a estatal Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). Sem ter que gerar lucro e distribuir dividendos, foi possível, segundo a EGR, reduzir as tarifas em 26% para os veículos de passeio e em até 68% para os de carga.

Mais barato


De acordo com Alexandre Kireeff, a praça de pedágio ficará num local que não prejudique o trânsito dos londrinenses. "Não pode criar nenhum tipo de obstáculo. Tem que estar em uma posição que não afete moradores dos distritos e das margens da rodovia para ir atá a região urbana da cidade", afirmou.
Ele disse que estudos prévios apontam uma tarifa próxima de R$ 5. Mas admitiu que será necessário um estudo mais aprofundado para defini-la. Fixada em R$ 5, a tarifa representaria um valor por quilômetro de R$ 0,074, ou 24% menor que a média cobrada pela iniciativa privada no Anel de Integração do Estado, que é de R$ 0,098.
Além do governo do Estado, segundo o prefeito, o projeto exigirá o aval da Assembleia Legislativa do Paraná e da Câmara de Vereadores. A assessoria de imprensa da Secretaria de Infraestrutura e Logística do governo do Estado afirmou que o pedido de Delegação de Competência do prefeito Alexandre Kireeff chegou ontem pela manhã e deverá ser encaminhado à equipe técnica e jurídica do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) e da própria secretaria. (Colaborou Nelson Bortolin)

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