Prefeito de Palmeira diz que a Otis 'desapareceu'
Carmem Murara
De Curitiba
O município de Palmeira (região Sul) pode ser a mais recente vítima da guerra fiscal entre São Paulo e Paraná. O prefeito do município, Mussolini Masari, contava com a instalação da fábrica de elevadores Otis, mas se surpreendeu com a notícia divulgada anteontem de que a empresa estaria negociando a permanência em São Paulo. Eles vieram aqui e estava tudo, praticamente, certo, mas desde que começou esta guerra fiscal, a Otis desapareceu, disse o prefeito.
Masari confirmou que a empresa estava disposta a trocar São Paulo pelo sul do Paraná, motivada pelos benefícios fiscais oferecidos. A prefeitura cederia um barracão com 22 mil metros quadrados do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), onde ela poderia montar sua estrutura. Foi prometido ainda isenção do IPTU por 10 anos e dilação do ICMS por quatro anos. Acho que eles viram nosso projeto e agora estão fazendo um leilão com São Paulo para pedir lá o que ganharam aqui, opinou o prefeito.
A Secretaria de Indústria e Comércio informou ontem que não foi a Otis, mas sim a sua controladora, a norte-americana United Technologis, que chegou ao Paraná para negociar um futuro investimento. Eles desembarcaram em maio do ano passado e foram direto conhecer Palmeira. Segundo a Secretaria, a intenção do grupo era montar uma fábrica de metalurgia, mas não estava definido se seria ou não uma unidade da Otis, ou mesmo se ela iria abandonar São Paulo. A United controla também a Springer Admiral (fabricante de ar condicionado).
A equipe técnica da Secretaria de Indústria e Comércio não quis divulgar o volume de investimentos proposto pela empresa, mas informou que seriam gerados 200 empregos diretos. O prefeito de Palmeira, disse, no entanto, que a Otis havia proposto um investimento de R$ 10 milhões e que seriam 500 empregos.
O governo de São Paulo, ameaçado de perder mais uma indústria, aceitou negociar com a Otis. O governo deverá liberar um crédito tributário de R$ 10 milhões que estava sendo cobrado na Justiça.
A ordem no governo do Paraná é não polemizar sobre o assunto. Os secretários Giovani Gionédis (Fazenda) e Eduardo Sciarra (Indústria e Comércio) foram instruídos a fazer silêncio.





