Rio de Janeiro - O serviço telefônico móvel é um negócio que tem mais futuro que o fixo, segundo avaliação do gerente-geral de Comunicações Pessoais Terrestres da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Nelson Mitsuo Takayanagi. O executivo prevê que, quando o acesso à internet pelos celulares se popularizar, ''o fixo vai sofrer um baque''. ''Para que um solteiro de classe média ou alta que mora sozinho quer um telefone fixo se ele pode sempre ser achado pelo móvel? A maioria ainda tem um fixo por causa da internet'', diz.
Ele observa que o número de terminais móveis em funcionamento está crescendo muito mais que o de telefones fixos. Agosto terminou com 40,093 milhões de celulares em operação, contra 39,099 milhões de linhas fixas ligadas. Além de muita gente na população de baixa renda utilizar celulares pré-pagos em vez de ter linhas fixas (para não pagar a assinatura), também entre as pessoas de maior poder aquisitivo há quem prefira o telefone móvel.
Segundo dados da Anatel, 1% da população de classe A, com renda mensal acima de 30 salários mínimos, apesar do poder aquisitivo, não tem telefone fixo. Nesse caso, a questão não é evitar o custo da assinatura, mas desfrutar a opção da mobilidade. Além disso, em geral cada linha fixa atende a um grupo de pessoas, enquanto o celular serve normalmente a um só indivíduo. Assim, há residências, por exemplo, com uma só linha fixa e cinco celulares, um para cada integrante da família.
A Anatel até hoje não permite planos pré-pagos na telefonia fixa. Isso porque considera que eles só seriam economicamente viáveis se a estrutura tarifária fosse modificada. Isso significaria um aumento substancial nas tarifas da telefonia fixa, hoje bem mais baixas que as da telefonia móvel. Como a agência não quer promover essa mudança tarifária, não acha necessário regular o pré-pago para terminais fixos.
''Achamos que, em vez de pré-pago, o que vai aumentar a penetração da telefonia fixa é o Acesso Individual Classe Especial (Aice), que está em consulta pública. Com ele, a assinatura é de R$ 9 e se pode fazer chamada a cobrar'', disse Takayanagi. ''A partir de 2006, as prestadoras serão obrigadas a dar o Aice para quem não tem telefone fixo.'' A disposição consta dos termos de renovação das concessões das operadoras de telefonia fixa por 20 anos a partir de 2006.

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