Preços subiram mais que inflação este ano
SÃO PAULO - Os preços dos combustíveis subiram ao longo do ano mais do que a inflação, segundo a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP. Os preços de forma geral subiram 9,84% até novembro, enquanto as despesas com transportes aumentaram 17,88%, pressionadas especialmente pela correção do custo dos combustíveis.
A gasolina, até o mês passado, havia ficado 15,87% mais cara. O preço do álcool teve um reajuste maior e passou a custar 18,60% mais do que um ano antes. As despesas com combustível em viagem, um outro item que integra a pesquisa da Fipe e que também reflete a correção dos combustíveis, subiu 16,21%. No mês passado, os preços dos combustíveis começaram a se acomodar.
A principal correção no ano foi em abril. Mudanças na legislação que regula os preços das tarifas de combustível resultaram num aumento médio do álcool e da gasolina naquele mês de 11%, segundo a Fipe. A partir daí, os preços foram liberados, mas não subiram muito mais do que a inflação.
Os preços dos combustíveis só tiveram mais um reajuste expressivo mesmo em outubro, quando foi alterada a forma de combrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Com isso, a gasolina, em outubro, passou a custar 1% mais e o alcool 3% mais.
Num período de um ano, terminado em novembro, o item transporte só não subiu mais do que habitação e saúde. As despesas com habitação aumentaram 22,18% e com saúde, 19,79%. Segundo o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa da Fipe, o impacto do reajuste de 10,2% nas tarifas de combustíveis, anunciado na quinta-feira pelo governo, terá pequeno impacto na inflação e a previsão de uma taxa próxima a zero foi mantida.
Para o governo, no entanto, assim como habitação e saúde, as tarifas de combustíveis são a principal preocupação para garantir, ao longo do próximo ano, uma inflação de um dígito. Na semana passada o Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, reconheceu que há ainda resquícios de indexação nesses setores. A meta, para o próximo ano, informou, é eliminar isso.





