Preços sobem R$ 0,20 em duas semanas em Londrina
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Fábio Galiotto e Larissa Ayumi Sato Reportagem Local 
O preço da gasolina aumentou R$ 0,20 e o do etanol subiu R$ 0,22 em duas semanas, nos postos de Londrina, de acordo com duas pesquisas feitas pelo Procon (Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor de Londrina) nos dias 29 de agosto e 12 de setembro. A diferença do derivado de petróleo está na política adotada pela Petrobras, de obedecer a variação da cotação internacional da commodity e repassá-la às refinarias mesmo que diariamente. No caso do biocombustível, o valor ocorre apesar do período de safra da cana-de-açúcar e um proprietário de posto na cidade aponta o aumento da demanda como possível causa.

Foram contatados 95 revendedores, dos quais 71 forneceram as informações ao Procon. O preço médio da gasolina no levantamento da última quarta-feira (12) e que foi divulgado no dia seguinte aponta a média da gasolina nas bombas em R$ 4,52, uma alta de 4,39% ante a pesquisa do último dia 29. O menor valor pago é de R$ 4,27 e o máximo, de R$ 4,89.
No caso da gasolina comum, o preço chegou a apenas R$ 0,02 a menos do patamar em que estava na época da greve dos caminhoneiros. No dia 6 de junho, logo após o fim da paralisação, o Procon informou que o combustível tinha valor médio de R$ 4,54.
Para o etanol, a média foi de R$ 2,80 por litro, alta de 7,99%. O piso foi de R$ 2,27 e o teto foi de R$ 2,89%. Os menores preços do biocombustível e da gasolina foram encontrados no mesmo posto, que fica no distrito de Warta, zona norte.
Em nota, o Sindicombustíveis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, derivados de Petróleo, Gás Natural, Biocombustíveis e Lojas de Conveniência do Estado do Paraná) considera "absurda" a alta dos combustíveis. "A política de preços adotada pela Petrobras é completamente equivocada e desconectada com a realidade econômica brasileira e os interesses da sociedade como um todo", diz no documento. "Somente em agosto de 2018 a Petrobras realizou aumentos da gasolina nas refinarias que somam 8,37%. Desde o início de setembro até esta quinta-feira, a Petrobras já aumentou o preço da gasolina em mais 4,24%."
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Para os dirigentes do Sindicombustíveis, "todos os aumentos prejudicam muito a recuperação econômica do País, pressionam a inflação e são negativos para consumidores e também para revendedores de combustíveis". O sindicato informa que os postos compram combustíveis das distribuidoras, que repassam os aumentos nas refinarias com agilidade, mas demoram mais para repassar as baixas.
O coordenador executivo do Procon, Gustavo Richa, afirma que houve crescimento no número de reclamações sobre preços de combustíveis ultimamente. Ele explica que o órgão atua somente quando é detectado uma alta injustificável. "Se houver algum aumento acima do anunciado pela Petrobras, aí podemos multar", conta. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 151, pelo e-mail [email protected], ou pessoalmente na sede do Procon, que fica na Rua Mato Grosso, 299, no Centro.

Plena safra
Sobre a alta no preço do etanol, o coordenador do Procon lembra que o País está em plena colheita de cana e que é estranho que o valor do biocombustível pareça acompanhar os aumentos praticados pela Petrobras para gasolina e diesel. "Constatamos que os produtores [de cana] priorizarão a produção de etanol, uma vez que os preços dos combustíveis derivados do petróleo estão em alta e a população tende a abastecer mais com etanol. Contudo, não adianta priorizar se, em cada aumento do preço da gasolina, aumenta-se também o valor do etanol", diz Richa.
Contudo, o proprietário do Autoposto Cupimzão, Diogo Decker, afirma que um dos motivos para a alta no valor do etanol está justamente no aumento da demanda. Ele conta que identificou nos estabelecimentos dele uma queda de 15% na comercialização de gasolina e alta de 25% na venda do biocombustível. "O indicador de preços para o etanol da Cepea/Esalq também mostra que vem subindo o preço nas usinas nas últimas semanas e acredito que seja porque mais pessoas estão abastecendo com etanol e menos, com gasolina."
Decker considera preocupante e afirma que sempre informa os clientes das variações de preços promovidas pela Petrobras. "Amanhã [sexta-feira] teremos mais um, de R$ 0,02 e não tenho mais como segurar, porque minha margem está apertada", diz.


