Preços sobem 80% com choque cambial
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sexta-feira, 21 de março de 2003
Agência Estado 
Rio O choque cambial desde o ano passado produziu aumentos de preços ao consumidor de quase 80% nos últimos 12 meses. Dos seis produtos que mais subiram no período, quatro foram direta ou indiretamente afetados pela desvalorização do real, em uma lista encabeçada pelo óleo de soja (alta de 77,6%). Com variações bem menores, itens como automóveis novos (1,6%) e aluguel residencial (1%) compensaram a inflação média do período.
Os dados são de um levantamento realizado pelo economista e membro do conselho consultivo do Sistema de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ricardo Braule, com base nas variações captadas pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA). De março de 2002 até o mês passado, o IPCA acumulou alta de 15,84%.
O levantamento mostra que, nesse período, cerca de 200 itens tiveram aumentos de preço superior à média do índice da inflação. Além do óleo de soja, os primeiros produtos da lista com maiores aumentos, com peso significativo no cálculo do índice e que sofreram impacto do câmbio, são óleo diesel (73,1%), farinha de trigo (65%) e açúcar refinado (63%).
''Um dos motivos principais para esses aumentos foi o choque do câmbio em 2002'', disse Eulina Nunes dos Santos, gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE. No primeiro pelotão de aumentos aparecem também produtos como feijão carioca (76,8%), batata-doce (70,3%), abóbora (62,3%) e chuchu (60,9%). Segundo a gerente, o peso desses produtos é menor e as variações estão ligadas à sazonalidade.
No caso do feijão preto, Eulina explica que os preços vêm se recuperando desde 2001. No ano anterior, o produto registrou uma safra elevada e os preços caíram. Além do movimento de recomposição do preço, a gerente lembra que uma parte da produção tem compradores no mercado externo.
Na faixa de aumentos acumulados de 30% a 60% nos últimos 12 meses, aparecem ovos (53,5%), manteiga (51,7%), batata-inglesa (45,1%), achocolatado em pó (43,1%), macarrão (41,5%), pão francês (38,6%), chocolate em barra (36%), pneu (33,7%) e café moído (33,8).


