O segundo leilão de café do ano, realizado pelo governo ontem, frustrou a expectativa do mercado e permitiu mais um aumento no preço do produto. Foram oferecidas 205 mil sacas em todo o país. Para os corretores que participaram leilão a oferta ficou abaixo da necessária para segurar os preços, e a participação de indústrias de café solúvel ampliou ainda mais disputa. Na média os preços ficaram 15% acima dos valores de abertura definidos pelo governo. No mês passado, o aumento foi de 11% em cima do preço inicial. ‘‘Não tem como o torrefador segurar o preço para o varejo’’, alerta a superintendente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Maringá, Vera Lúcia Perioto.
O preço inicial do leilão de ontem foi de R$ 125,00 a casa de 60 quilos, contra a média de R$ 144,00 alcançada em boa parte dos lotes. As 80 mil sacas colocadas à venda no Paraná foram compradas todas de manhã. Em alguns lotes a
saca chegou a ser comercializada a R$ 146,00. De tarde, o café depositado em São Paulo já era vendido com aumento de 18% sobre o preço inicial. ‘‘O governo deveria leiloar uma quantidade que atenda a procura interna, e impedir a participação das indústrias de solúvel, que exportam boa parte da produção’’, acredita Vera. Ela diz que apesar da falta de produto no mercado interno, o governo continua segurando o estoque.
Com um aumento de preços acumulado em 26% nos últimos dois meses, as indústrias terão que repassar, prevê Vera. ‘‘No mês passado muitas torrefadoras ainda tinham estoque, o que permitiu a manutenção dos preços, mas agora o mercado está desabastecido’’, alerta. Outra preocupação do mercado é que com o valor de venda do leilão de ontem, os produtores que ainda tem café na mão passam a especular com os preços. Os produtores sabem que um novo leilão do estoque do governo só sai em um mês, e vão forçar o preço para cima.

mockup