Curitiba - Os aumentos nas tarifas de energia elétrica (2,93%) e de água e esgoto (7,80%) fizeram a cesta de produtos administrados e monitorados subir 0,54%, em fevereiro. A alta teria sido de 1,05% não fosse a redução de 1,91% no custo com transporte urbano, a partir da implantação, em Curitiba, da tarifa domingueira (R$ 1,00). O recuo nos preços dos combustíveis -2,31% na gasolina e -2,03% no álcool também ajudou a segurar o aumento. Outro item que registrou queda, ainda que pequena, foi o gás de cozinha (-0,06%).
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que divulgou ontem a pesquisa, passou a considerar a redução na tarifa de ônibus este mês. Em janeiro, sem computar a tarifa especial, os preços públicos haviam registrado deflação de 0,31%. Refazendo os cálculos, a queda foi de 0,70%.
O economista do Dieese, Sandro Silva, explicou que o aumento na energia é reflexo da retirada gradativa dos descontos que o governo do Estado instituiu em 2003. O aumento de 7,80% nas tarifas de água e esgoto se equipara ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2004, que ficou em 7,60%. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) projetava reajustar as tarifas em cerca de 12%, mas o governo do Estado só autorizou a reposição da inflação.
Também pesou, positivamente, no índice de fevereiro, o reajuste das tarifas do pedágio. O Dieese considera a tarifa cobrada pela concessionária Ecovia, que repassou o maior aumento (15,29%). O impacto na cesta de preços administrados por contrato foi de 13,66%.
Nos dois primeiros meses do ano, os serviços públicos acumulam queda de 0,17%. Já nos últimos 12 meses, a alta é de 9,89% 2,33% maior que o IPCA (7,39%) e 3,76% superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que ficou em 5,91%. O Dieese calcula que uma família curitibana gastou R$ 464,29 com as tarifas públicas, em fevereiro.

mockup