Curitiba - Os agricultores do Paraná também serão responsáveis por ''enfeitar'' e deixar mais saborosa a mesa dos consumidores com frutas típicas nas festas de final de ano. A maior produção no Estado destes alimentos é de uva, com quase 105 mil toneladas por ano, seguida de 17,8 mil toneladas de pêssego, 13,9 mil toneladas de ameixa e 3.292 toneladas de nectarina.
A 50 dias do Natal, os preços pagos ao produtor por estes produtos já começam a subir. De acordo com levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), em outubro de 2012, o produtor recebia R$ 2,74 pelo quilo do pêssego e, em outubro deste ano, o valor já estava em R$ 3,93, o que aponta uma alta de 43,43%. No mesmo período, o preço da uva fina de mesa passou de R$ 3,29 para R$ 3,96, o que significa uma alta de 20,36%.
O levantamento de preços diário realizado pelo serviço Disque-Economia da Secretaria Municipal de Abastecimento de Curitiba, mostrou que o reflexo do aumento do preço pago ao produtor ainda não chegou ao consumidor final. Uma comparação realizada pelo serviço a pedido da Folha, mostrou que, no último mês, a uva itália teve queda de preço de 3,81%. O abacaxi, bastante usado no período para as receitas típicas e também para decorar as mesas de festas, teve o preço reduzido em R$ 1,97%.
O conjunto de 14 frutas pesquisadas pelo serviço ficou praticamente estável no último mês e subiu 0,43%. O coordenador do Disque Economia, Henri Paulo Lira, disse que estes produtos não deveriam subir porque são de época. No entanto, ele recomenda que o consumidor procure pesquisar preços e buscar promoções antes de comprar.
Hoje, o Paraná é o quinto maior produtor de frutas em geral com 1,697 milhão toneladas, perdendo para São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Nordeste. O coordenador estadual de fruticultura do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Elcio Rampazzo, disse que a produção de frutas no Estado não tem avançado muito por vários motivos. No caso da uva, ficou estável nos últimos três anos porque o custo de produção é muito alto. Hoje, para produzir um hectare o gasto é de R$ 50 mil. E os produtores do Estado sofrem com a concorrência de mercado de São Paulo e Minas Gerais. Além disso, esta cultura tem custos altos de fertilizantes, defensivos agrícolas e mão de obra.
Nas frutas de caroço como pêssego e ameixa, a área plantada tem crescido a uma velocidade de 5% ao ano. Segundo ele, este crescimento é considerado baixo e, como a uva, sofre a concorrência de outros estados. ''Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm mais tradição e clima mais favorável para estas frutas de caroço'', disse. Uma das culturas que teve aumento de área no Paraná foi a de banana que tem crescido cerca de 10% ao ano.
Rampazzo defende que a fruticultura deveria avançar mais. ''O conhecimento do produtor ainda limita muito isso'', afirmou. O coordenador do Emater disse que hoje o problema não é falta de crédito para a fruticultura. Mas, defende uma política pública do governo federal de subsídio para mudas de várias culturas de frutas para incentivar o setor.

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