Rio de Janeiro - Pressionado pelos fortes reajustes do aço e dos combustíveis, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) fechou 2004 com alta de 12,14%, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A taxa supera os 7,67% registrados em 2003. As maiores altas ocorreram no atacado, cujos preços mais que dobraram de um ano para o outro. O Índice de Preços por Atacado (IPA) subiu 14,67%, sob impacto principalmente de combustíveis, aço e resinas plásticas. Em 2003, o índice havia sido de 6,26%.
Diferentemente de anos como 2002 e 1999, quando os IGPs dispararam em razão de crises cambiais, 2004 foi um ano de ''choques isolados'', mas muito intensos, de acordo com o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros. Ele citou o caso do aço, que subiu 57,66% no ano por causa da forte demanda mundial pelo produto, e do petróleo. No atacado, os combustíveis aumentaram 18,07%.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), sob a influência benéfica de alimentos como arroz e derivados de soja, teve uma variação menor do que em 2003 - 6,27% contra 8,93%. Nesse caso, o que mais pesou foram as tarifas públicas.
Em dezembro, o IGP-DI desacelerou. O índice atingiu 0,52%, ante 0,82% de novembro. É que justamente os preços do aço e dos combustíveis começam a subir numa intensidade menor. O IPA cedeu de 1% em novembro para 0,48%. Já o IPC avançou de 0,37% para 0,63% em dezembro. O motivo foi a alta sazonal dos alimentos in natura.
Inércia - Segundo o economista Alexandre Sant'Anna, da ARX Capital, as variações maiores do IGP-DI e de outros índices da mesma família em 2004 serão um fator a mais de preocupação para o Banco Central. Esses índices corrigem tarifas como energia e telefonia, cujo reajuste é calculado com base no indicador de 2004. Com isso, prevê o economista, a inflação ao consumidor será ''realimentada'' neste ano.
''Haverá uma inércia. O BC terá de trabalhar com uma inflação dos preços preços administrados maior. Eles devem subir 7% neste ano'', estima. Sua estimativa supera a projeção de inflação média do BC, de 5,1% para o IPCA.
Em compensação, Sant'Anna espera que a queda dos preços do petróleo atenue um pouco a pressão das tarifas públicas. Ele não prevê alta dos combustíveis neste ano. De acordo com a FGV, a gasolina subiu 14,10% em 2004 nas bombas dos postos. O álcool aumentou 26,59%.

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