Preços no atacado aceleram inflação
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio O fim da queda nos preços do atacado (de -0,56% para 0,49%) levou ao aumento de 0,42% apurado para a primeira prévia do Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) de fevereiro, que registrava queda de 0,31% em igual prévia em janeiro. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas, Salomão Quadros, houve uma mudança expressiva na trajetória de preços no setor atacadista, que apurou término de deflação tanto no setor agropecuário (de -0,78% para 1,49%) e industrial (de -0,48% para 0,12%).
Mas, de acordo com o economista, foi o setor agropecuário que comandou o fim da queda de preços atacadistas. Ele observou que, assim como já tinha sido registrado no IGP-DI de janeiro, os preços das commodities agrícolas apresentaram aumentos de preços expressivos, na primeira prévia de fevereiro. É o caso das acelerações de preços apuradas em soja em grão (de 1,08% para 7,01%); milho em grão (de 1,59% para 7,97%) e trigo (de 0,29% para 6,39%). A soja, sozinha, explica a metade da contribuição da agropecuária no IPA (índice que mensura a inflação do setor atacadista), disse o economista.
Ele lembrou que a soja é o item agropecuário de maior peso na formação da inflação atacadista e que, qualquer movimentação de preços para cima, nesse produto, pesa muito na formação da taxa. O economista comentou que os preços das commodities agrícolas deram um salto no final de janeiro, período em que foram coletados os preços para cálculo da primeira prévia do IGP-M de fevereiro (de 21 a 31 de janeiro).
Entretanto, os aumentos de preços não estão concentrados apenas nas commodities agrícolas. Os alimentos processados também pararam de cair de preço (de -2,07% para 3,15%), e também foram registrados avanços de preços em itens como óleo de soja refinado (de -12,49% para 9,29%); e açúcar cristal (de 1,33% para 20,13%).
Para o economista, o IGP-M total de fevereiro deve apresentar taxa positiva, e bem diferente do resultado de janeiro
(-0,44%). Ele avalia que, embora a trajetória mensurada pelo IGP-M até o momento seja ascendente, isso não deve ser suficiente para que o índice atinja taxa superior a 1% esse mês.


