Preços mínimos podem ajudar produtores paranaenses
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segunda-feira, 21 de maio de 2012
Ricardo Maia <br> Reportagem Local 
Em pleno decorrer da safra de inverno, o Ministério da Agricultura anunciou na semana passada os valores dos preços mínimos que serão pagos aos produtores para a temporada 2012/13. No caso do trigo, a tabela definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) estipulou para a região Sul o valor da variedade tipo 1, saca de 60 kg, a R$ 20,85 (básico), R$ 25,02 (doméstico), R$ 30,06 (pão) e R$ 31,50 (melhorador). O trigo tipo 2, tem preço mínimo de R$ 18,95 (básico), R$ 22,74 (doméstico), R$ 27,36 (pão) e R$ 28,92 (melhorador). Já o grão tipo 3, foi estipulado em R$ 16 (básico), R$ 19,20 (doméstico), R$ 23,10 (pão) e R$ 23,52 (melhorador).
Francisco Carlos Simioni, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que o governo tem corrigido os preços da cultura de forma gradual. ''Se esses valores vão ser favoráveis ou não para o produtor, vai depender das oscilações do mercado externo e interno''. Segundo o economista, a elevação dos preços dos insumos e a perda de competitividade do trigo frente ao milho fizeram com que muitos produtores desistissem da atividade.
Só para se ter uma ideia dessa diferença de rentabilidade entre as duas culturas, Simioni explica que um hectare de trigo chega a produzir até 2,8 mil quilos, a um preço médio de R$ 25,50 por saca de 60 kg. Já no milho, a produtividade da cultura salta para 5 mil kg/ha, com a saca de 60 kg sendo vendida a R$ 22. Nesse caso, pelo seu alto volume de produção, o grão chega a ser mais compensatório. ''Neste ano, os preços do milho estiveram muito bons, foi um crescimento vertiginoso que deve continuar em um status elevado'', observa.
Simioni acrescenta que os novos preços anunciados pelo governo poderão ajudar o produtor a obter uma margem melhor de rendimento em algumas variedades que, em alguns casos, ficaram com valores superiores aos custos de produção. O trigo classe pão, por exemplo, registra um custo por saca de R$ 25,75, e agora contabiliza preço mínimo de R$ 30,06. ''No caso do trigo para pão, o reajuste pode ser positivo. É o que o governo pode fazer'', avalia Simioni.
Questionado sobre o declínio da produção do trigo no Paraná, Simioni revela que ainda há a possibilidade do setor decrescer ainda mais, principalmente devido à sua perda de competitividade. Porém, ele não acredita que a cultura deva ''sumir'' do Estado, já que a cultura é a melhor opção para o produtor fazer rotação durante o inverno. Neste ano, a produção paranaense é estimada em 2,25 milhões de toneladas, 200 mil a menos se comparado à safra passada. Em área, a cultura ocupa 785 mil hectares, um decréscimo de 26% em relação ao último ciclo.
Outras culturas
Além do trigo, o governo também definiu para a região Sul o preço mínimo de R$ 16,02 para a saca de 60 kg de aveia, R$ 31,86 para a saca de canola (Sul, Sudeste e Centro-Oeste); R$ 22,68 para a saca de cevada (Sul, Sudeste e Centro-Oeste); R$ 30,60 para a saca de girassol (Sul e Centro-Oeste), e R$ 17,10 para a saca triticale (Sul, Sudeste e Centro-Oeste). De acordo com o ministério, todos esses valores passam a vigorar a partir de julho de 2012 e valem até julho de 2013.



