Preços melhores não aumentam renda
Os preços melhores para a soja e o milho previstos para esse ano não devem se reverter em lucros ao produtor. Nos cálculos da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o aumento dos custos de produção, do frete e do pedágio, deverão anular os ganhos com a comercialização dos produtos. A renda líquida deve permanecer a mesma do ano passado, acredita o assessor econômico da Ocepar, Flavio Turra.
A alta nos custos de produção da safra que começa a ser comercializada foi de 25% em relação aos valores praticados antes da desvalorização cambial. Turra reconhece que a situação estará melhor para os produtores de milho, porque os preços estão elevados esse ano e o produto, mais disputado. ‘‘Dificilmente o milho tem liquidez na comercialização como terá esse ano’’, salientou.
Ocorre que os ganhos dos produtores serão reduzidos porque o milho é uma cultura que prevalece nas regiões Norte e Sul do Estado e é consumido nas regiões Sudoeste e Oeste. Essa distância envolve remoção da produção e o frete considerado alto em relação ao valor da produção, afeta a renda dos produtores, destacou.
Turra salientou que o produtor pode abocanhar uma margem maior na receita bruta se conseguir segurar um pouco mais para comercializar mais para frente. A tendência nos preços do milho e soja é melhorar após o período de concentração de oferta e os preços deverão reagir. Inclusive o preço do milho está na dependência do bom desempenho da safrinha, lembrou o técnico. ‘‘Se ocorrer uma geada, durante o ciclo de desenvolvimento, o preço do milho explode’’, avisou.(V.C.)