Preços mais baratos no exterior puxam queda do IPP
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de março de 2012
Daniela Amorim <br> <br> Agência Estado 
Rio - O cenário internacional, afetado pela crise na Europa, está ajudando a puxar para baixo os preços da indústria da transformação brasileira. Os setores mais relacionados ao mercado externo foram os que influenciaram o recuo em janeiro de 0,46% na inflação medida pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Houve queda nos preços de outros produtos químicos (-2,93%), papel e celulose (-1,99%), fumo (-1,92%) e metalurgia (-1,56%). A formação dos preços no mercado internacional é o que tem levado à deflação nesses setores, explicou o IBGE. ''Entre os que mais caíram, o preço do fumo é completamente dado pela demanda internacional, assim como papel e celulose e outros produtos químicos, como derivados de petróleo, a nafta, por exemplo'', disse Cristiano Santos, analista da Coordenação de Indústria.
A queda nos preços de outros produtos químicos foi a mais acentuada no IPP de janeiro. A atividade tem peso de 10,96% na formação do indicador. ''Aqui é o mercado internacional que está puxando esses preços para baixo. No IPP, têm peso muito grande os produtos ligados à cadeia do petróleo. E o petróleo não está mais exercendo influência tão grande nos preços da gasolina e de outros produtos, como o propileno. A gasolina está aparecendo com variação negativa'', afirmou Santos.
O pesquisador do IBGE acredita que o comportamento dos preços da atividade de outros produtos químicos, em queda desde outubro, esteja muito atrelado ao preço da nafta, que não estaria exercendo pressão forte nos produtos derivados nesse momento. ''A nafta não está exercendo pressão positiva, está estável'', apontou. ''O que aconteceu nesse setor nos últimos anos? O preço cresceu bastante, então a tendência é que você tenha um movimento negativo, que ele volte a um patamar anterior ao período em que teve crescimento muito grande''.



