Preços industriais sofrem efeito da desaceleração
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Flavio Leonel<br> Agência Estado 
São Paulo - O comportamento de quedas consecutivas do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) tem ligação com a influência que os preços industriais do atacado estão sofrendo da atividade menor no País. A avaliação é do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, que, em análise específica sobre o indicador destacou que a tendência é de pressões menores para os principais subíndices formadores da taxa de inflação geral apurada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Ontem, o instituto divulgou que o IGP-M de junho caiu 0,10% ante baixa de 0,07% em maio. O resultado ficou no piso intervalo de expectativas dos analista consultados pelo AE Projeções, que era de -0,10% a 0,12%, e puxou o indicador acumulado do ano para uma taxa negativa de 1,24%. Em 12 meses, o IGP-M acumulou variação positiva de 1,52%. Dos seis meses de 2009 que já contaram com medição de inflação da FGV por meio do IGP-M, cinco deles apresentaram deflação. A exceção no ano ficou por conta do mês de fevereiro, quando o IGP-M subiu 0,26%, ainda assim um resultado que não preocupou o mercado financeiro.
''O que se pode concluir pelo quarto mês consecutivo de deflação no IGP-M é que o efeito da desaceleração econômica sobre os preços industriais do atacado continua predominando'', disse o economista. ''À medida que as pressões pontuais que afetavam o IPC (Índice de Preços ao Consumidor do IGP-M), como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos cigarros, os preços administrados, os preços dos serviços e o salário mínimo, perderem fôlego, a variação nos preços ao consumidor deve ser bem menor no segundo semestre'', acrescentou.
Para ele, as possíveis novas fontes de pressão, como o preço do leite, que, na versão Longa Vida, subiu 12,76% ante 8,41%, além de outras commodities, não mostram, por enquanto, intensidades com força suficiente para tirar o IPC da rota de tranquilidade atual - variou 0,17% em junho contra alta anterior de 0,42%. ''Não aparentam, até agora, serem capazes de evitar esse cenário de descompressão nos preços ao consumidor'', opinou.
O economista-chefe do Banco Fator lembrou que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) foi o subíndice do IGP-M que teve maior variação em junho (1,53% contra 0,25% em maio). De acordo com ele, essa alta foi, em grande parte, resultado dos reajustes salariais no grupo mão de obra, que teve variação de 3,50% em junho. ''O grupo Materiais e Serviços também contribuiu um pouco para essa alta, com uma deflação menos intensa em junho (-0,19%) do que em maio (-0,71%). Porém, o simples fato de continuar apresentando deflação mostra as condições do setor de construção civil no Brasil, além do efeito da redução do IPI sobre esses produtos'', salientou.


