São Paulo - A alta recente dos preços futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) acionou a negociação antecipada da safra futura do Brasil. As cotações acumulam valorização superior a 30% em 2005, e metade do ganho foi obtida nos últimos 30 dias. Apenas em junho, a alta é próxima de 10%. Na semana passada, os contratos futuros alcançaram e consolidaram o nível psicológico importante de US$ 7,00 por bushel, ou cerca de US$ 15,50 a saca de 60 kg. Os preços melhores estimularam a venda antecipada pelo sistema de troca por fertilizantes ou por adiantamento de parte do pagamento para financiar a lavoura.
Normalmente, as compras antecipadas começam em maio no Estado de Mato Grosso, o primeiro a plantar e colher o grão. Mas até meados de junho os contratos para a safra nova previam apenas o volume a ser comprometido entre vendedor e comprador, não o preço. O mecanismo, tradicional no segmento de soja, ruiu no ano passado quando produtores romperam contratos de venda antecipada porque o preço havia subido muito entre a data da assinatura e a da entrega da mercadoria.
Mesmo com esse risco, as grandes tradings multinacionais (Bunge, ADM, Cargill e Dreyfus) e o Grupo André Maggi (Amaggi) estão fazendo compras antecipadas em Mato Grosso e no Porto de Paranaguá. Em Mato Grosso, os preços de venda para a safra futura, a ser entregue entre os meses de março e maio, oscilam entre US$ 9,50 e US$ 11,20/saca, conforme a localização das lavouras. Em Paranaguá, houve negócio na semana passada a US$ 14,00/saca para março. Esses preços foram fixados após a forte alta recente dos futuros em Chicago, sustentada pela seca que ameaça a safra dos EUA. Esta semana, o grupo Amaggi fechou preços entre US$ 10,20 e US$ 10,50/saca nas regiões da BR-163 e do noroeste de Mato Grosso, para pagamento em produto no início de 2006.
'''A retomada da venda antecipada está ocorrendo normalmente, sem traumas em relação ao que ocorreu no ano passado, quando alguns produtores romperam com as tradings'', diz Gustavo Gonçalves, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja). Ele admite, contudo, que o agricultor precisa recuperar sua credibilidade com as companhias. ''Estamos enfrentando séria dificuldade em contrair financiamentos para a safra nova nos bancos, daí a necessidade de vender antecipadamente parte da produção para as indústrias e exportadores'', diz. Para Gonçalves, a decisão de plantio da safra nova será tardia este ano, dada a lentidão da venda de insumos e a crise do setor.

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