Preços farão aumentar a safra 98/99
Preços farão aumentar a safra 98/99
A próxima safra de verão terá estímulo do próprio mercado: baixo nível dos estoques e perspectiva de preços
Vânia Casado
Mauro Frasson
ReconhecimentoStefanelo, homenageado, ontem, em Curitiba: estoques mais baixos da históriaO aumento das importações e o baixo nível do estoque de alimentos no País, que estão pressionando a alta no preço dos produtos agrícolas, deverão estimular os produtores a ampliar a área plantada na safra 98/99. A expectativa é que 1999 seja um ano de recomposição dos estoques e que, em três safras, o País saia do patamar que varia entre 70 milhões e 80 milhões de toneladas para 100 milhões de t. A avaliação é do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, que esteve ontem, em Curitiba, para ser homenageado pelos líderes do agribusiness paranaense.
Para concretizar essa previsão, o ministro Francisco Turra deverá percorrer todos os Estados para detalhar o plano de safra, que terá sua divulgação antecipada para o final de maio. Stefanelo acredita que serão alocados R$ 10 bilhões para o crédito rural da safra 98/99, aumento de 17,64% sobre o crédito da safra anterior (R$ 8,5 bilhões).
Stefanelo afirmou que o aumento da produção deve ser um esforço de todo o Brasil, como na Argentina: a produção saltou de 1.000 kg/habitante para 2.000 kg/habitante, em dez anos. No Brasil, a produção ficou estagnada em 500 kg/habitante.
Estoques Segundo Stefanelo, o nível do estoque de alimentos no País é o mais baixo dos últimos dez anos: 5,6 milhões de t, sendo 4,5 milhões de t de milho, 570 mil t de arroz, 47 mil t de feijão e 105 mil t de trigo. Os estoques de arroz, feijão e trigo serão desovados totalmente para o programa Comunidade Solidária e o atendimento emergencial do governo aos carentes do Nordeste atingidos pela seca. Do estoque de milho, cerca de 400 mil t serão utilizadas pelo programa Comunidade Solidária e o restante será jogado no mercado para tentar equilibrar oferta e demanda.
Stefanelo lembrou que a baixa nos estoques de alimentos vem ocorrendo desde a safra 95/96 e se agravou nos dois últimos anos, com a redução na produção. Só este ano, os fatores climáticos como a seca no Nordeste e o excesso de chuvas na Região Centro-Sul levaram 2,5 milhões de t de grãos e estão provocando a alta nos preços do arroz, milho e feijão. A queda na produção e o estoque curto de alimentos estão desencadeando o aumento das importações para atender as necessidades de consumo do mercado interno. Enquanto não for internalizado volume suficiente de alimentos, o consumidor terá de conviver com preços elevados nos produtos da cesta básica durante os próximos três meses,, declarou.
Segundo Stefanelo, este ano o País deverá importar 1,5 milhão de t de arroz, 1 milhão de t de milho e, no mínimo, repetir a importação de feijão feita no ano passado, que foi de 159.000 t.





