Preços estabilizados preocupam produtor
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quarta-feira, 15 de junho de 2005
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
O clima bom tem mantido os preços dos produtos hortigranjeiros estabilizados na Central de Abastecimento (Ceasa) de Londrina. Nas duas últimas semanas, dos principais produtos comercializados na Central, poucos tiveram variações.
De acordo com o presidente da Associação dos Atacadistas, Clóvis Tsuzaki, ''a produção dos hortigranjeiros foi maior do que se esperava'', por isso, a estabilidade dos preços. ''Não tivemos problemas com chuva, com frio intenso. Por enquanto, tudo está propício para uma boa produção de forma geral'', afirmou Tsuzaki.
Apesar da estabilidade, alguns produtos estão sendo mantidos em baixa o que, segundo Tsuzaki, prejudica o produtor. Ele cita os casos da cenoura, da alface e do chuchu, onde a cotação está sendo mantida abaixo da média do mercado.
Ontem, a caixa do chuchu, por exemplo, estava sendo comercializada a R$ 5. A caixa com nove pés de alface, também foi vendida por R$ 5, enquanto a cenoura foi comercializada por uma média de R$ 7 e R$ 8 a caixa. ''Quem cultiva esses produtos, está trabalhando no limite. No caso da cenoura, os produtores estão trabalhando no vermelho''.
O atacadista comenta que o principal motivo de se trabalhar no limite com os preços são os altos custos com a produção, a adubação, a colheita e o transporte dos produtos. ''Com todos os gastos para produzir, não compensa para o produtor vender o alimento por R$ 5 ou R$ 8 a caixa''.
Ele compara a cenoura com a beterraba, que nos últimos dois ou três meses, vinham sendo comercializados pelo mesmo preço (cerca de R$ 20). Hoje, a beterraba está sendo vendida entre R$ 20 e R$ 25 a caixa, enquanto a cenoura de primeira está custando no máximo R$ 8. ''É uma diferença de mais de 300%''.
Segundo o atacadista Roberto Morakami, que ontem na Ceasa comprou cerca de 200 caixas de cenoura por R$ 5, o problema do preço baixo, é a grande oferta do produto. ''Nesta época do ano, um alqueire de cenoura produz entre 4 mil e 5 mil caixas, enquanto no verão, a produção na mesma área é de apenas mil caixas. O que comanda o preço é a oferta e a procura''.
Morakami explica que a procura, tanto da beterraba quanto da cenoura é a mesma, mas que, no caso da beterraba, a oferta é pequena, comparado com a cenoura. ''Isso faz a diferença no preço''.
Os preços refletem também nos supermercados, onde o quilo da cenoura ontem foi vendido a R$ 0,19, enquanto a beterraba está custando R$ 2 o quilo.


