A taxa de câmbio desfavorável ainda não preocupa o setor do agronegócio paranaense em virtude dos preços elevados dos produtos agrícolas no mercado internacional. O endividamento dos Estados Unidos e as crises econômicas em países europeus também não assustam as cadeias produtivas do setor, visto que o principal mercado consumidor, a China, continua com potencial de compra.
''A maior preocupação era com a possibilidade de inadimplência dos Estados Unidos em relação ao endividamento com o Brasil, mas isso não aconteceu'', observa Flavio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
A possibilidade de recessão, segundo ele, também não deve afetar o preço das commodities a médio prazo. ''China e Índia podem reduzir o ritmo, mas continuam crescendo, o que mantém o poder de compra das populações, principalmente em relação a alimentos.''
No setor, o momento é de profissionalizar a produção, investindo em escala e tecnologia, no campo, e crescimento da agroindústria. Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), lembra que a cadeia de produção de aves avança na exportação de cortes especiais e a agroindústria do leite cresce para atender o mercado interno em expansão.
Turra revela que, do total da produção agrícola recebida pelas cooperativas paranaenses em 2010, 42% foi industrializado, ''desde o simples processamento até cortes especiais de frango e produção de suco de laranja ou óleos vegetais.''
Gilda Bozza, economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), lembra que oferta, demanda e clima não são mais as únicas variáveis que determinam o mercado de commodities. Taxa de câmbio e o próprio comportamento das economias dos países passaram a influenciar esse cenário, o que torna difícil prever o comportamento dos preços.
''Hoje, não há mais como fazer previsões. O produtor tem que ficar atento para vender a produção nos repiques de preço'', afirma. Aprender a lidar com os riscos é o desafio imposto aos agricultores. ''Profissinalização para produção em escala com uso de tecnologia é fundamental.'' (C.A.)

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