Preços dos materiais escolares sobem até 6% em 2026
Apesar da alta em alguns itens, papelarias tentam atrair consumidores com promoções de itens em estoque
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de janeiro de 2026
Apesar da alta em alguns itens, papelarias tentam atrair consumidores com promoções de itens em estoque

Pais e responsáveis que já receberam a lista de material escolar para o próximo ano letivo, mas ainda não foram às compras terão que saber escolher bem os itens que irão para o carrinho se quiserem economizar. Muitos produtos estão com preços iguais ou até abaixo do ano passado, mas outros registraram alta de até 6%. A vantagem para os consumidores, ao menos no Paraná, é a concorrência do governo do Estado que a partir de 2025 passou a fornecer o material escolar aos alunos da rede pública. Com a redução nas vendas, muitos varejistas decidiram manter os preços ou fazer promoções.
Proprietário de cinco lojas em Londrina e uma em Maringá, o empresário Alvaro Loureiro Junior disse que o momento é de liquidar os estoques que ficaram parados no ano passado. “Muitas papelarias fecharam e outras estão em dificuldade. Provavelmente, os pais vão ver que alguns produtos vão estar mais baratos porque as papelarias estão vendendo o estoque antigo.”
Entre os itens que tiveram alta estão os importados, que sofreram a influência da taxa cambial, e aqueles cuja matéria-prima é derivada de petróleo, como alguns modelos de pastas. Mas há produtos que tiveram redução de mais de 25% em relação ao início do ano passado. Nas lojas de Loureiro, um modelo de mochila que em 2025 custava R$ 119,99 agora pode ser adquirido por R$ 89. “O interesse é fazer fluxo de caixa. Estou reduzindo os preços de vários itens porque as vendas caíram muito depois da ação do governo do Estado, que foi um desastre para as papelarias”, lamentou. “Neste ano, não vão ter grandes filas porque a maioria dos alunos recebeu o material escolar do poder público. Nas lojas, vão estar apenas os alunos das escolas particulares e os da rede pública que buscam itens com maior qualidade. As lojas vão estar bem calmas no início do ano.”
Segundo o empresário, os papeleiros estão investindo em produtos destinados a um público que não se preocupa muito com o preço e busca por novidades, especialmente artigos de maior apelo entre as meninas. A chamada “papelaria fofa” tem preços mais altos, mas oferece itens diferenciados, como cadernos com aroma de lavanda ou morango e personagens do universo infantil que estão em alta, como os produtos licenciados da Rebecca Bonbon, a buldogue francesa fashionista e apaixonada por doces criada pela designer japonesa Yuko Shimizu, mesma criadora da Hello Kitty, adorada há décadas pelas crianças.
Uma mochila da personagem que é a mais nova febre entre os pequenos chega a custar R$ 500. Mesmo com preço elevado, o produto não fica muito tempo na prateleira. “Compramos (a primeira remessa) em novembro, chegou em dezembro, esgotou em dezembro mesmo e já fizemos um novo pedido para a indústria. Deve chegar nesta ou na próxima semana. A criança vem à loja e fica entusiasmada. Quer o personagem do momento e muitos pais compram porque sabem que quando a criança vai para a escola feliz, isso reflete no aprendizado. Essas modinhas são como uma ventania”, comentou Loureiro.
Entre os meninos, a exigência é por variações de figuras já consagradas, como o Homem-Aranha, ou temas como os dinossauros. “Os meninos que têm a mochila 2D do Homem-Aranha vêm em busca da mochila 3D. Eles gostam de inovações nos personagens que já conhecem.”
Nas vendas dos produtos tradicionais, o empresário espera empatar com as vendas realizadas no início do ano passado, mas nos itens mais caros, a expectativa é de um aumento de 20% a 30%. “Na loja de Maringá, as vendas de papelaria fofa estão explodindo”, comemorou Loureiro.
Procon
O Procon-PR publicou uma cartilha com dicas para este início de ano letivo. Dúvidas sobre matrícula, rematrícula, valores de mensalidade, transporte de estudantes e listas de material escolar são frequentes e o objetivo do órgão de defesa do consumidor é municiar os pais e responsáveis com informações para evitar possíveis abusos ou irregularidades em cobranças e exigências por parte das instituições de ensino e prestadores de serviço.
Com dez páginas, o conteúdo disponibilizado pelo Procon-PR é simples e claro e oferece um compilado das principais dúvidas que acometem os pais neste momento, incluindo informações sobre a legislação. "As instituições de ensino devem sempre adotar transparência e esclarecer as dúvidas de pais, alunos e responsáveis. A cartilha elaborada pelo Procon-PR é um apoio e, com linguagem simples e direta, traz argumentos legais que podem ser bem úteis nesse período", disse o secretário de Estado de Justiça e Cidadania, Valdemar Jorge.
Estão no material, por exemplo, a obrigatoriedade de desconto do valor da matrícula na anuidade ou semestralidade, o que a escola pode ou não fazer em caso de inadimplência, regras para reajuste de valores e para mudança de uniforme escolar e também quais os direitos e deveres de um aluno quando desiste da matrícula em instituição de ensino superior.
Um dos tópicos incluídos na cartilha aborda a compra de material escolar e as cobranças adicionais. O Procon orienta que a escola não pode cobrar taxas extras nem incluir na lista de material itens de uso coletivo, como canetas para quadro branco, papel higiênico, produtos de limpeza, copos descartáveis e materiais de escritório para uso da escola. Os custos com esse tipo de material devem ser acrescentados no cálculo do valor da anuidade ou semestralidade.
A instituição de ensino também não pode exigir marcas específicas nem indicar lojas para a compra do material escolar. "O consumidor tem o direito de buscar os melhores preços e condições de pagamento e é sempre aconselhável fazer uma pesquisa comparativa antes da compra", diz a cartilha do Procon-PR.
Em caso de dúvidas, a escola tem a obrigação de esclarecer os pais ou responsáveis sobre quais atividades pedagógicas serão desenvolvidas com cada item solicitado. A coordenadora do Procon-PR, Claudia Silvano, orienta ainda que os pais pesquisem os preços antes de comprar ou formem grupos para conseguir melhores condições de pagamento. "Eles se reúnem, compram uma quantidade maior de material e conseguem melhores preços."
A cartilha do Procon lembra ainda que atividades extracurriculares, como viagens, excursões, passeios e outros serviços são opcionais. Se o aluno não quiser ou não tiver condições de participar, ele não será obrigado a efetuar o pagamento. O material informativo pode ser acessado no site do Procon-PR (www.procon.pr.gov.br).


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


