O preço de veículos novos aumentou, em média, 11,5% no Brasil superando a inflação, o dólar e diversas aplicações financeiras no último semestre. Em Londrina, a alta do zero quilômetro não superou 13% em relação ao mesmo período de 2003. Segundo Claudio Felismino, gerente de uma revenda Fiat, isso é resultado da valorização do petróleo, borracha, aço e peças em geral. ''Acredito que até o início de agosto haverá outro reajuste'', prevê.
Nesta revenda, o aumento no preço ficou entre 10% e 12% nos últimos seis meses. Mesmo assim, a empresa vendeu 40% a mais em junho, comparando ao mesmo período de 2003. Para o gerente, as promoções e taxas de juros especiais ajudaram. Os populares Uno Mile Fire e Palio respondem por 60% dos negócios. ''Em geral, a maioria dos clientes financia a compra. Curiosamente, em junho 60% negociaram à vista. Acho que o lote do Imposto de Renda e a liberação da soja influenciaram o resultado'', concluiu.
Numa concessionária Ford o carro mais barato é o Ford Ka (básico), vendido por R$ 19,5 mil, seguido do Fiesta Street (ar e vidro elétrico) que custa R$ 20,5 mil. ''Esses valores equivalem a US$ 7 mil, o preço do carro popular no mundo inteiro'', disse o gerente Marcos Valério Barros Garcia.
Uma pesquisa nacional, feita pela AutoInforme/Molicar, de São Paulo, mostra o Gol Special 1.0 como o de maior reajuste no 1º semestre. Em janeiro custava R$ 14,8 mil e hoje vale R$ 18,8 mil: alta de 27%. Mesmo assim, numa concessionária Volkswagem de Londrina, a linha Gol ainda é a mais procurada. O gerente Odenil Silva garante que na sua loja o aumento não superou 13%.
Em junho, ainda segundo a pesquisa, o mercado de carro zero registrou a sexta alta mensal consecutiva, com aumento de 1,5% no 'preço de verdade' -o chamado valor real das transações comerciais. Foi o maior acréscimo dos últimos três meses. As maiores altas foram nos importados. O utilitário Toyota, o RAV-4, por exemplo, custava R$ 102 mil em maio e saltou para R$ 120 mil em junho, alta de 17%. ''Para mim, o desempenho do último semestre é praticamente igual ao mesmo período de 2003. Seria melhor se o comprador não estivesse tão receoso com a possibilidade de alta no risco País e no câmbio'', disse Paulo Cesar Bequito, gerente da Peugeot, em Londrina, que desde janeiro registrou acréscimo médio de 3%.
O representante de autopeças Milton Molinari troca de carros a cada dois anos por força da sua profissão. Como precisa do automóvel para a venda de peças, para ele, compensa mais trocar de carro do que gastar em manutenção. Este ano, no entanto, planeja trocar seu automóvel 2003 - um Golf pelo qual pagou R$ 37 mil -, mais cedo, em outubro, por um modelo zero quilômetro que custa hoje R$ 53 mil. Por enquanto está apenas na fase de pesquisa de preços. Mesmo com as campanhas de juros especiais feitas pelas concessionárias, Molinari prefere comprar à vista. Segundo ele, não compensa financiar; no pagamento à vista os preços atuais trazem apenas o reajuste normal da inflação.

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