Preços dos alimentos subiram 98% em 7 anos
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segunda-feira, 04 de agosto de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O período dos alimentos baratos acabou. Assim como especialistas sobre o assunto já alertaram, os números mostram que os preços dos itens alimentícios estão em uma escalada de alta constante. Nos últimos sete anos, por exemplo, o custo de 13 produtos que compõem a cesta tiveram alta de 98,04%, segundo pesquisa que apura os preços dos alimentos praticados nos supermercados de Londrina. No período, a alta mais expressiva foi a do feijão - leguminosa indispensável para muitos brasileiros - que ficou 217,03% mais caro.
Entre os 13 itens o produto que menos teve seu custo reajustado foi a batata, que aumentou 17,15% no mesmo período. Outros itens que fazem parte do dia-a-dia da maioria das pessoas também estão pesando mais no bolso das famílias: óleo de soja (+209,45%), arroz (+119,29%) e a carne (+117,43%). No entanto, os números também mostram uma relação curiosa. Em maio de 2001 - quando a pesquisa começou a ser feita - uma família formada por dois adultos e duas crianças precisava gastar 1,75 salário mínimo para se alimentar. Na época, o salário era de R$ 180.
Agora, com salário de R$ 450 a mesma família gasta 1,5 salário mínimo com os alimentos. Apesar desta relação, a princípio favorável aos consumidores, o economista Flávio Oliveira dos Santos, professor da Universidade Pitágoras, não considera um ganho. ''Outros itens do consumo subiram mais do que a cesta básica, onde o aumento foi mais moderado'', comenta. Estes itens, citados por ele, são os produtos de limpeza. Embora o economista não acompanhe a evolução destes preços, a alta nos custos destes produtos é notada por praticamente todos os consumidores.
Na avaliação de Santos, o índice de reajuste apurado pela pesquisa não chega a surpreender. ''Na verdade, o mais surpreendente é a alta registrada nos últimos 12 meses, quando os alimentos ficaram 42,56% mais caros. Esta foi a alta mais expressiva e que reduz o poder de compra de toda a sociedade. Os consumidores que têm salários maiores sentem menos estes reajustes do que os que recebem salário mínimo'', salienta. Em julho do ano passado a cesta básica custava R$ 429,53, enquanto no mês passado os mesmos produtos foram comercializados por R$ 623,93.
Além disso, o economista lembra que em julho de 2007 o custo da cesta básica chegou a cair 2,04%. Somente neste ano os alimentos ficaram 18,10% mais caros. ''No primeiro semestre de 2007 os preços estavam estáveis. De agosto para cá é que os preços 'perderam os rumos''', comenta. De julho do ano passado até agora foram registradas nove altas nos custos e apenas três quedas. Em parte esta alta nos preços dos alimentos pode ser explicada pelo aumento do custo de produção agrícola, que tem registrado reajustes expressivos.
Estes custos foram puxados também pelo aumento de preços do petróleo, cuja cotação vem batendo recordes históricos. O óleo mineral é componente de fertilizantes e também encarece o custo do transporte. ''O crescimento econômico também fez aumentar o consumo de alimentos, pressionando os estoques e aumentando os preços'', explica Santos. Além do aumento de custos, foram registradas perdas nas safras brasileiras de arroz e feijão, reduzindo novamente os estoques.
Por isso, a tendência é que os preços continuem altos até a colheita da safra de verão (a partir de janeiro do próximo ano). ''Isso se não acontecer qualquer problema climático em qualquer lugar do mundo ou fatores externos que alterem a produção agrícola'', avalia o economista. No entanto, ele ressalva que a expansão da biotecnologia possibilita o aumento da produção de alimentos sem a expansão da área plantada.


