Preços dos alimentos deram uma travada
A coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, minimizou o fim de uma breve série de queda da inflação no acumulado em 12 meses pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ela destacou que a taxa de 9,32% verificada nos 12 meses até maio ficou próxima à alta de 9,28% nos 12 meses até abril. "Apesar de ter acelerado de um mês para o outro, quando se considera os últimos 12 meses, a taxa ficou muito próxima do mês de abril. Isso porque o resultado de maio do ano passado ficou muito perto do de maio deste ano", disse Eulina.
Os preços dos alimentos continuaram subindo no IPCA de maio, mas "deram uma travada" em relação aos meses anteriores, afirmou Eulina Nunes dos Santos. O grupo alimentação e bebida avançou 0,78% no IPCA de maio, a menor variação mensal desde novembro do ano passado. De novembro a abril, a variação mensal dos preços dos alimentos ficou acima de 1%. Em outubro, havia sido de 0,77%. Ainda assim, o grupo alimentação e bebidas acumula alta de 12,74% nos 12 meses encerrados em maio, acima da média do IPCA, de 9,32%.
"A alimentação vem pressionando o IPCA nos últimos anos", disse Eulina, citando fatores climáticos e a alta demanda dos países emergentes, que jogam para cima as cotações das commodities agrícolas, para explicar o fenômeno. Desde 2007, segundo o IBGE, a variação do grupo alimentação e bebidas tem ficado acima do IPCA médio. Neste ano até maio, a alta dos alimentos é de 6,61%, contra 4,05% do IPCA cheio. No acumulado de 2007 a maio de 2016, os alimentos acumulam alta de 131,08% ante 78,78% no IPCA médio.
Remédios
O IBGE também divulgou ontem um levantamento sobre os preços dos remédios, que subiram 10,52% neste ano. O aumento reflete o reajuste autorizado pelo governo, que passou a vigorar no fim de março. Os remédios foram autorizados a serem reajustados em até 12,50%. Esse limite é traçado com base na inflação passada e outros fatores como produtividade do setor, concorrência e custo dos insumos dos produtos.
Os maiores aumentos no período foram registrados em psicotrópico e anorexígeno (12,28%), gastroprotetor (11,57%) e anti-inflamatório e antirreumático (11,12%). O antigripal foi o que menos subiu (8,73%).
O aumento dos produtos farmacêuticos está bem acima da inflação medida pelo IPCA, a oficial do País. De janeiro a maio deste ano, o índice foi de 4,05%. Os preços dos remédios não subiam tanto desde 2003, quando acumularam alta de 11,50% (considerando o ano inteiro). Naquele ano, o câmbio disparou com as incertezas do mercado sobre o primeiro governo PT.
Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, a tendência dos preços dos produtos farmacêuticos é estabilizar daqui para frente. Pelo padrão histórico, os preços não encostam no limite do reajuste. "As farmacêuticas sempre oferecem algum desconto no medicamento. Então, vamos ver os preços flutuarem pouco daqui para frente." (Das agências)





