Preços do milho devem se manter em alta
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segunda-feira, 16 de abril de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Nem mesmo a estimativa de uma supersafra de milho nos Estados Unidos e no Brasil será suficiente para provocar uma queda de preços do grão. A demanda pelo etanol americano e os estoques mundiais relativamente baixos devem manter, neste ano, o preço médio do milho mais alto do que o registrado em 2006. No Paraná, balanço do Departamento de Economia Rural (Deral) - órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento - aponta que o custo do milho foi reajustado em 46% nos últimos 12 meses (veja quadro).
O fato é que a produção mundial de milho deve atingir patamares recordes neste ano. Para a safra 2007/08, a área de plantio deve crescer 15% nos Estados Unidos. Já os brasileiros devem colher 35 milhões de toneladas do grão na safra de verão. Se o clima ajudar a safrinha deve produzir mais de 13 milhões de toneladas. Tudo vai depender do clima. O ano começou bem, mas em março as condições climáticas foram piores do que as registradas no mesmo mês do ano passado.
''O potencial produtivo da planta será definido em abril e maio e se o clima não ajudar pode frustar a safrinha'', comenta Leonardo Sologuren, sócio-diretor da Célleres Consultoria, empresa privada de análises do agronegócio. Como os preços no mercado interno são ditados pelo comércio externo, um aumento da colheita americana pode significar redução de preços no Brasil. ''Em uma semana (na última semana de março) os preços caíram 13% por conta do aumento da intenção de plantio nos Estados Unidos'', afirma.
No entanto, ele diz que os preços só irão cair neste ano se a produção americana superar as 315 milhões de toneladas. ''Para que os americanos atinjam essa produção o clima tem que ser perfeito, só que não podemos medir isso a longo prazo'', observa.
O consultor José Carlos Hausknecht, da MB Agro - empresa privada de análises do agronegócio - também aposta em preços de níveis altos, variando entre US$ 3,60 e US$ 3,80 o bushel. ''Esses patamares devem se manter mesmo se a safrinha brasileira for boa'', comenta.
Mas a formação do preço ao longo do ano vai depender de vários cenários como condições climáticas e desempenho da safra americana. Leonardo Sologuren lembra que a cotação fechou 2006 em alta porque os estoques nacionais caíram, devido aos leilões de compra promovidos pelo governo federal. Além disso, no ano passado o Brasil (que não tem tradição exportadora em milho) atingiu o maior nível de exportação do grão, comercializando cerca de 4 milhões de toneladas. Isso ocorreu porque o aumento da demanda americana de milho, em função da produção de etanol, abriu mercado para o Brasil.
Para 2007 a projeção é exportar 7,5 milhões de toneladas. ''Os preços no mercado interno também serão recuperados porque as exportações puxam a cotação'', afirma o consultor Sologuren. No entanto, José Carlos Hausknecht acrescenta que se o País deixar de exportar, os preços no mercado interno serão pressionados para baixo. ''O problema para o produtor brasileiro é que o câmbio não tem ajudado, tem atrapalhado'', salienta.


