O preço de comercialização do milho na safra 96/97 dificilmente subirá até atingir o nível do preço mínimo, de R$ 6,70 a saca de 60 quilos. A previsão é do analista de mercado Paulo Molinari, da Safras & Mercado.
‘‘O produtor deve estar consciente de que o preço de mercado ficará entre R$ 5,00 e R$ 5,50 durante todo o período de comercialização’’, avisa o analista. Para ele, o preço de mercado não é ruim. ‘‘É o preço mínimo que está fora da realidade’’, critica. De acordo com Molinari, o preço mínimo deveria estar entre R$ 5,50 e R$ 6,00.
Na avaliação do analista, o preço de R$ 5,00 por saca remunera o produtor que colhe entre 6 e 7 mil quilos por hectare. ‘‘Já o produtor que colhe apenas 2 mil quilos por hectare não teria rentabilidade positiva nem se vendesse o produto por R$ 8,00’’, compara.
De acordo com dados da Safras & Mercado, a produtividade média brasileira é de 3 mil quilos por hectare, mas, segundo Molinari, há muitos produtores tecnificados que investem em insumos modernos e conseguem colher na faixa dos 7 mil quilos por hectare, obtendo um bom retorno com a lavoura. ‘‘A realidade mostra que para competir no mercado tem que investir em tecnologia’’, opina.
Conab contestaO superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Eugênio Stefanelo, também concorda que o preço mínimo está alto, mas contesta a informação de que o mercado vá trabalhar com um valor abaixo do preço oficial. ‘‘O preço de R$ 6,70 está, de fato, fora da realidade do mercado, mas já que o governo fixou o preço neste patamar deve buscar instrumentos para sustentá-lo’’, defende.
Ao contrário do analista da Safras & Mercado, o superintendente da Conab acredita que a comercialização da safra poderá ser feita na base do preço mínimo e até chegar a valores maiores desde que os produtores não se apressem em vender tudo de uma vez. ‘‘Se o produtor colocar tudo no mercado na entrada da safra não tem o que segure o preço’’, adverte.
Se houver cautela, o preço poderá chegar até a R$ 7,50 por saca em setembro, prevê o superintendente da Conab. Ele lembrou que o governo federal vai retirar entre 6 a 7 milhões de toneladas do produto do mercado, através dos contratos de opção, EGF e AGF, o que deve contribuir para a sustentação do preço.
De acordo com dados da Conab, a safra normal, somada à safrinha, deve resultar numa produção nacional de 34 milhões de toneladas do produto. Além disso, o governo tem 4 milhões de toneladas em estoques, elevando a oferta para 38 milhões de toneladas. ‘‘A oferta ficará bem ajustada ao consumo que está previsto entre 38 e 39 milhões de toneladas’’, informa.

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