Preços do gás e laticínios desaceleram
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de outubro de 2007
Alessandra Saraiva<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A desaceleração do preço do gás de botijão (de 1,06% para 0,20%) contribuiu para a redução do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), que ficou em 0,23% na quadrissemana encerrada em 30 de setembro, ante aumento de 0,25% na semana anterior. A avaliação é do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz. Segundo ele, o comportamento do preço desse item levou à desaceleração de todo o grupo Habitação (de 0,47% para 0,38%).
Braz comentou que o preço do gás de botijão varia de acordo com as flutuações do setor varejista, ou seja, por fatores de concorrência. Outros dois itens contribuíram para a desaceleração no grupo Habitação: telefonia fixa (de 0,20% para 0,00%) e material de limpeza (de 0,56% para 0,13%). De acordo com o economista, essas duas movimentações de preços também foram importantes para manter reduzida a taxa do IPC-S.
O ciclo de alta na cadeia de laticínios chegou ao fim no varejo. No âmbito do IPC-S, os preços saíram de uma elevação de 1,07% para uma deflação de 1,35% entre a terceira e a quarta quadrissemana de setembro. Foi a primeira queda de preços no segmento desde janeiro deste ano. A queda no preço do leite tipo longa vida passou de 3,38% para 7,80%. Outros produtos da cadeia estão em franca desaceleração: leite em pó (passou de 10% para 7,84%), queijo mussarela (de 6,22% para 3,78%) e leite condensado (de 8,36% para 5,57%).
Segundo a FGV, o resultado indica que a regularização da oferta do leite, no mercado interno, está mais disseminada. Durante meses, o setor teve problemas de demanda maior do que oferta, no mercado interno, devido à seca que prejudicou os pastos, afetando a alimentação do gado. Além disso, houve quebra de produção de leite em grandes regiões produtoras, como Austrália e Nova Zelândia - o que gerou aumento das exportações brasileiras, e redução mais intensa da oferta do produto no mercado interno.
O próximo IPC-S deve continuar desaceleração, na avaliação de André Braz. De acordo com ele, o IPC-S que será referente à quadrissemana encerrada em 7 de outubro deve ser menor do que o anunciado hoje. Segundo ele, os preços do grupo alimentação, que estão subindo menos, devem contribuir para a manutenção da desaceleração na taxa do indicador. ''Se os preços dos alimentos continuarem assim, o IPC-S deve continuar desacelerando mesmo'', afirmou.


