Preços do frango caem no varejo
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quarta-feira, 21 de junho de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
Os preços do frango estão caindo no Paraná desde o início do ano. Até maio, já houve uma redução de 16% no custo para o varejo, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral); e de 26% no atacado, de acordo com as indústrias. Essa queda de preços é reflexo da crise da gripe aviária e dos embargos aos produtos de origem animal devido aos focos de febre aftosa registrados no Estado e no Mato Grosso do Sul, que contribuíram para uma queda nas exportações.
Com a redução do comércio exterior, os produtos foram direcionados para o mercado interno, o que provocou a queda de preços. ''O mercado é regido por uma lei maior, que é a da oferta e da procura e não temos como segurar o frango na granja'', salienta Domingos Martins, presidente da Associação das Indústrias Abatedoras de Aves do Paraná (Avipar). E, para o consumidor, segundo ele, houve benefício. ''Hoje, o frango está com um preço que nunca se viu. Está mais barato do que uma cerveja ou um litro de água mineral'', comenta.
Entre setembro e outubro do ano passado, o preço de venda dos abatedouros do quilo do frango variava entre R$ 2,20 e R$ 2,30. Hoje, essa cotação é de R$ 1,70. O varejo também registrou uma queda de preços, de acordo com o Deral. No ano passado, o custo médio do frango congelado foi de R$ 2,39 o quilo; em maio, o mesmo produto era vendido por R$ 2,30 o quilo, em média (veja quadro). E essa queda de preço contribuiu para um aumento do consumo. A estimativa da Avipar é que no primeiro trimestre deste ano o consumo per capita foi de 39 quilos; tradicionalmente, neste mesmo período, cada paranaense ingeria de 36 a 37 quilos.
Mas mesmo essa queda de preços parece não ter motivado alguns consumidores a comprar mais frango. O advogado Louriberto Gonçalves, por exemplo, diz que percebeu que houve uma queda ''significativa'' de preços. ''Já vínhamos reduzindo o consumo de frango de granja por causa dos hormônios; estamos comprando o frango caipira'', comenta. A fonoaudióloga Valentina Simioni Rodrigues também percebeu a queda do custo mas, nem por isso, aumentou seu consumo.
''Tem frango na minha casa toda semana, mas não na mesma proporção que a carne de boi'', diz Valentina. Já a vendedora Eliani Santos Xavier afirma que não tem o hábito de consumir frango. ''Vi na televisão que os preços do frango caíram por causa da gripe'', observa.
Perspectivas - No entanto, a Avipar espera que o mercado esteja equacionado já no segundo semestre. A previsão é que até lá, a Rússia, o principal mercado consumidor do Estado, já tenha levantado os embargos impostos aos produtos de origem animal. ''Se esse mercado for aberto vai alavancar as exportações. O Paraná ainda está sendo afetado por essas medidas porque os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo já voltaram a exportar'', informa Domingos Martins.


