Preços do feijão recuaram 30% no PR
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sexta-feira, 26 de março de 1999
Vânia Casado 
Os produtores que apostaram no plantio de feijão da segunda safra não deverão atingir lucros tão bons quanto esperavam. Para compensar os prejuízos que tiveram com o excesso de chuvas na safra das águas, muitos produtores investiram no aumento da área plantada e agora, na hora da colheita, os preços começam a cair frustrando as expectativas otimistas. As cotações já recuaram 30% em relação a dezembro passado.
O feijão da safra das águas 98/99 atingiu o melhor preço dos últimos quatro anos. Na avaliação do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria da Agricultura, o preço médio no Estado do feijão de cor ficou em R$ 45,55, um acréscimo de 78% sobre a safra das águas do ano-safra 94/95 quando o feijão foi comercializado a R$ 25,63. O preço do feijão preto, no mesmo período, foi 27,5% maior. Na safra 98/99, a cotação média ficou em R$ 41,64, contra R$ 32,66 na safra 94/95, quando foi implantado o Plano Real.
Os produtores que venderam a produção no início de 1999, estavam com produtividade melhor e os preços também estavam mais altos. Cerca de 81% da safra das águas foi comercializada rendendo aos produtores um faturamento bruto de R$ 254,1 milhões, sendo R$ 107,6 milhões referentes à venda de feijão preto e R$ 146,5 milhões referentes à venda de feijão de cor. Segundo o Deral, foram comercializadas 330 mil toneladas da safra das águas.
Animados com os preços bons alcançados em 1998 e nos primeiros dois meses de 1999, os produtores investiram no plantio da segunda safra. Ampliaram a área plantada em 44%, passando de 92.492 hectares plantados na safra passada para 133 mil hectares na safra atual. A produção esperada é de 160 mil toneladas, que somada com a produção da safra das águas está resultando numa oferta de 578 mil toneladas, uma elevação de 17% sobre a produção anterior que alcançou 494.800 toneladas.
Com a entrada do feijão das secas no mercado e o aumento da oferta, o preço já caiu 30% em relação aos preços praticados em dezembro. Segundo o Deral, o feijão carioca vem sendo negociado, em média, a R$ 40,10 a saca de 60 quilos. Em dezembro de 98, estava sendo negociada a R$ 56,63. O preço do feijão preto teve uma queda de 29% no mesmo período. Para a técnica do Deral, Margoreth Demarchi, a tendência é que os preços continuem caindo e a renda do produtor também caia na mesma proporção. A partir de abril intensifica-se a colheita do feijão das secas e a oferta do produto tende a aumentar.


