Os produtores que apostaram no plantio de feijão da segunda safra não deverão atingir lucros tão bons quanto esperavam. Para compensar os prejuízos que tiveram com o excesso de chuvas na safra das águas, muitos produtores investiram no aumento da área plantada e agora, na hora da colheita, os preços começam a cair frustrando as expectativas otimistas. As cotações já recuaram 30% em relação a dezembro passado.
O feijão da safra das águas 98/99 atingiu o melhor preço dos últimos quatro anos. Na avaliação do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão da Secretaria da Agricultura, o preço médio no Estado do feijão de cor ficou em R$ 45,55, um acréscimo de 78% sobre a safra das águas do ano-safra 94/95 quando o feijão foi comercializado a R$ 25,63. O preço do feijão preto, no mesmo período, foi 27,5% maior. Na safra 98/99, a cotação média ficou em R$ 41,64, contra R$ 32,66 na safra 94/95, quando foi implantado o Plano Real.
Os produtores que venderam a produção no início de 1999, estavam com produtividade melhor e os preços também estavam mais altos. Cerca de 81% da safra das águas foi comercializada rendendo aos produtores um faturamento bruto de R$ 254,1 milhões, sendo R$ 107,6 milhões referentes à venda de feijão preto e R$ 146,5 milhões referentes à venda de feijão de cor. Segundo o Deral, foram comercializadas 330 mil toneladas da safra das águas.
Animados com os preços bons alcançados em 1998 e nos primeiros dois meses de 1999, os produtores investiram no plantio da segunda safra. Ampliaram a área plantada em 44%, passando de 92.492 hectares plantados na safra passada para 133 mil hectares na safra atual. A produção esperada é de 160 mil toneladas, que somada com a produção da safra das águas está resultando numa oferta de 578 mil toneladas, uma elevação de 17% sobre a produção anterior que alcançou 494.800 toneladas.
Com a entrada do feijão das secas no mercado e o aumento da oferta, o preço já caiu 30% em relação aos preços praticados em dezembro. Segundo o Deral, o feijão carioca vem sendo negociado, em média, a R$ 40,10 a saca de 60 quilos. Em dezembro de 98, estava sendo negociada a R$ 56,63. O preço do feijão preto teve uma queda de 29% no mesmo período. Para a técnica do Deral, Margoreth Demarchi, a tendência é que os preços continuem caindo e a renda do produtor também caia na mesma proporção. A partir de abril intensifica-se a colheita do feijão das secas e a oferta do produto tende a aumentar.

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