Preços do etanol não devem recuar este ano
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terça-feira, 22 de julho de 2008
Por Eduardo Magossi<br>Agência Estado 
São Paulo - Diante do atual cenário de oferta e demanda por etanol criado pelo atraso do processamento de cana no Centro-Sul, dificilmente as cotações do combustível renovável irão registrar queda nesta safra, disse Plínio Nastari, da Datagro Consultoria. Segundo ele, apesar da produção estar focada no etanol, o mercado atravessa um momento de boas exportações e também de aquecimento no mercado interno de vendas de carros flex. Em junho, os carros flex representaram 87,5% do total de carros vendidos, incluindo a diesel, de acordo com dados da Anfavea.
Além disso, segundo Nastari, o setor tem investido muito em tancagem, aumentando a capacidade de armazenar álcool na própria usina, reduzindo a necessidade de vender durante a safra a preços menores. ''O setor descobriu que pode armazenar 20 milhões de litros com investimentos em torno de R$ 3 milhões, o que significa que este investimento pode ser amortizado em um ano se o litro do álcool subir R$ 0,15'', disse.
Outro motivo de suporte para os preços do etanol é o próprio açúcar, que deve subir de preço com a menor produção. ''Os preços do açúcar em alta devem influenciar o do etanol'', disse.
A expectativa é de que as exportações de etanol fiquem em torno de 4,8 bilhões de litros. ''As cotações de etanol nos Estados Unidos voltaram a recuar, o que deixou a janela de exportação de produto brasileiro para lá mais apertada'', disse. No entanto, Nastari afirma que do total estimado de 4,8 bilhões de litros a serem exportados, cerca de 90% já estão contratados. Nos portos brasileiros, a capacidade dos terminais já está tomada até meados de outubro. ''Esta maior demanda por terminais faz com que o custo de elevação do produto, a transferência do álcool da terra para o navio, aumente, o que tira a competitividade do Brasil'', disse.
Nesta safra, o custo de elevação em Santos passou de US$ 15,5 por metro cúbico para US$ 22. Nastari disse também que a elevação do custo do frete também contribui para elevar os preços do etanol. Segundo ele, em dólar, os fretes subiram 44,7% nesta safra em função da grande safra de grãos e da alta do diesel. ''Geralmente os caminhões independentes embarcam a safra de grãos no sul e depois sobem para embarcar o açúcar e álcool no interior paulista. A alta do diesel impediu que isto fosse feito na atual safra e o setor não está contando com estas carretas para embarcar seus produtos. Com uma oferta menor de carretas, o frete disparou'', disse.
Segundo ele, tudo isso deve fazer com que as cotações de etanol fiquem sustentadas mesmo durante a safra, podendo registrar recuos pontuais mas mantendo a tendência altista. ''Iremos trabalhar com estoques muito justos no final da safra'', disse. A expectativa é de que os estoques de passagem fiquem em 495 milhões de litros em 30 de abril de 2009, já contando com uma entrada antecipada de 900 milhões de litros da próxima safra.


