Os cafeicultores brasileiros, em especial os paranaenses, terão que ter muita paciência na próxima safra se quiserem permanecer na cultura. Após um ano de preços baixíssimos e dificuldades enfrentadas na lavoura, como as geadas no Estado, a safra 2013/14 não deve ter um cenário diferente da atual. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a expectativa de uma elevada oferta mundial no próximo ano, e altos estoques, podem continuar pressionando as cotações do grão para baixo.
Quando o assunto é preço, o produtor sofreu demais esse ano. Se em janeiro de 2013 a saca de 60 kg era comercializada a R$ 304,67 no Estado, em novembro o preço fechou em R$ 203,07, queda de 33,3% em 11 meses. Com tais valores, o cafeicultor segurou o produto: apenas 50% do produzido foi vendido até agora. O número deveria girar em 80%. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado (Seab). "Eles não estão segurando (as vendas) porque estão capitalizados, mas sim para atenuar os prejuízos desse ano. Hoje o custo de produção da saca gira em torno de R$ 280 a R$ 340, dependendo da tecnologia empregada, e o produtor está vendendo a R$ 220", explica o secretário Executivo da Câmara Setorial do Café, Paulo Franzini.
O especialista não acredita que a esperada safra mundial cheia para o ano que vem seja o principal motivo para que os preços do café continuem em baixa em 2014. "Como o café é uma commodity, muitos trabalham com o mercado futuro. O produtor utiliza esse mecanismo de mercado para se proteger, mas os grandes investidores querem ganhar dinheiro. Essa disputa desigual no mercado de ações acaba influenciando diretamente nos valores. O cafeicultor hoje é refém desse mecanismo".
Franzini deixa claro que os estoques também influenciam de certa forma nos valores. Ele cita países como Vietnã e Colômbia que estão renovando suas áreas da cultura e devem voltar fortes na próxima safra. O Brasil também teve uma segunda safra alta este ano e tem a expectativa de bons números para 2014. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve divulgar em janeiro os números do País. "Dos ciclos de baixa, essa safra foi umas das melhores dos últimos anos", complementa.
Já o Paraná está na contramão da produção. Se na safra 2012/13 a área utilizada para o café foi de 82 mil hectares, a perspectiva para o ano que vem é de apenas 58 mil hectares, queda de 30%. Já a produção, que fechou a 1,65 milhão de sacas, não deve ultrapassar 700 mil sacas, diminuição que pode atingir 60%. "Não há dúvidas que este é um cenário desafiador. O cafeicultor terá que apostar em alta produtividade para diminuir custos. Os preços podem até se recuperar, mas em que nível isso acontecerá, é difícil prever", indaga Franzini.

Imagem ilustrativa da imagem Preços do café devem continuar baixos em 2014
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