Desde o início da safra, o preço do algodão entrou em queda livre e a possibilidade da cotação do produto cair abaixo do preço mínimo está preocupando os produtores. Ontem, o produto estava cotado a R$ 7,10 a arroba do algodão em caroço e o preço mínimo está fixado em R$ 7,00 a arroba, segundo levantamento da Secretaria da Agricultura. A tendência do mercado é cair ainda mais, em torno de R$ 6,50 a arroba, avaliou Achiles Fabrete, do departamento de comercialização da Coamo.
Se a queda se confirmar, somente os produtores que conseguirem uma produtividade acima de 500 arrobas por alqueire, vão conseguir ter margem de lucro. Do contrário, terão prejuízo, acredita Fabrete. ‘‘Isso porque a cotação estará empatando com os custos de produção’’, justificou.
Segundo Fabrete, a queda nas cotações está ocorrendo em função da elevação da produção nacional, que deve colocar no mercado cerca de 500 mil toneladas de algodão em pluma, bem superior à produção do ano passado, que foi de 300 mil toneladas. Além disso, a produção de algodão da Argentina também está sendo maior, em torno de 550 mil toneladas de pluma. Os países asiáticos, por sua vez, que são grandes importadores, estão reduzindo as importações.
Só a China, que importou 800 mil toneladas de algodão em 1997, vai reduzir a importação em 50%, informou Maurício Lunardon, técnico da Secretaria da Agricultura. Diante disso, a Argentina que planejava ser a principal fornecedora do mercado externo está se voltando para o Brasil. Segundo Fabrete, a Argentina pretende exportar 300 mil toneladas de pluma para o Brasil. ‘‘Os vendedores argentinos estão oferecendo o produto a US$ 0,63 por libra peso, abaixo do preço mínimo que equivale a US$ 0,65 por libra peso’’, destacou Fabrete.

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