''Um dezembro magrinho'', essa é a expectativa de Adailton Pereira, presidente da Associação Londrinense dos Empresários Supermercadistas (ALES). O motivo do pessimismo é a alta da cesta básica que, segundo ele, variou entre 80% e 100% nos últimos oito meses. O vilão foi o açúcar, que subiu 90% a partir de agosto. Depois vieram o arroz, com alta de 65,58%; o óleo de soja, com 61,63%, e a farinha de trigo, com 24,06%.
''O comércio, em geral, alardeia um crescimento nas vendas, mas isso não é verdade. A tendência é que haja uma queda de 30% devido à perda no poder de compra do brasileiro'', afirmou Pereira. Essa previsão 'ganha corpo' dentro dos supermercados. Clientes assustados com a disparada dos preços cortam supérfulos, trocam de marcas e reduzem o consumo.
''No mês passado, eu gastei R$ 170,00 na compra do mês. Hoje, ela não pode passar dos R$ 150,00'', disse a aposentada Tereza Raimundo, 60 anos. Com a renda de R$ 200,00 ela sustenta, sozinha, sete pessoas e mesmo com a proximidade do Natal e Ano Novo não pretende extrapolar o orçamento. Este não é o caso da dona de casa Yolanda Miranda, 47 anos, que estima um aumento de R$ 40,00 na conta do supermercado este mês. ''E acho que vai subir ainda mais'', prevê.
De calculadora na mão a estudante de Administração Paula Mara Amaral de Biaggi, 25 anos, acompanha a mãe na pesquisa de preços. Com o limite de R$ 500,00 para a compra mensal, sua família também está economizando. ''Ou cortamos os supérfulos ou a metade da lista''. Para o garçom Antonio Barbosa, 52 anos, não há mais o que cortar. ''Só estou gastando o essencial. Não posso deixar de comer''.
Além do desfalque no bolso do consumidor, essa alta nos preços traz de volta o medo da inflação e a rede de boatos. O gerente administrativo de um supermerdado de Londrina, Eduardo Di Pietro, confirmou ontem que alguns clientes estão fazendo estoque de mercadorias. ''Isso é ruim para nós, porque diminui a circulação de dinheiro, e para o cliente, porque pode resultar na falta de produtos''. De acordo com ele, a solução é o empresário negociar com o fornecedor a redução na margem de lucro de ambos. Em protesto à dificuldade de acordo, uma rede de supermercados de Londrina instalou em suas lojas um cartaz que sugere ao consumidor a subsituição de marcas para fugir dos preços abusivos.

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